
Os biocombustíveis foi um dos temas de debate no Fórum Internacional do Agronegócio (Fiap) 2026, evento que ocorre nesta quinta-feira (18), em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
O deputado federal e vice-presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), Arnaldo Jardim afirmou que o Brasil reúne condições únicas para liderar a transição energética global com base na produção de biocombustíveis e destacou que o avanço desse setor ocorre sem comprometer a segurança alimentar.
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Ao abrir sua participação, Jardim destacou o papel do Brasil nos debates internacionais sobre sustentabilidade e afirmou que o país conseguiu demonstrar compromisso ambiental durante a COP30. Segundo ele, o agronegócio brasileiro tem construído um modelo baseado em inovação, agregação de valor e harmonização entre produção e preservação ambiental.
Jardim destacou que o Brasil já ocupa posição de destaque no uso de bioinsumos e argumentou que o país possui vantagens competitivas tanto pela matriz elétrica renovável quanto pela capacidade de gerar energia a partir da produção agropecuária.
“Temos uma matriz de energia elétrica que é a mais renovável do planeta. Nós disputamos com a Noruega, e ela tem suas particularidades, mas o Brasil das grandes economias, é a que tem a base mais renovável”, afirma Jardim.
Representando a FPA e a Coalizão dos Biocombustíveis no Congresso Nacional, Jardim afirmou que o país entra no debate internacional da transição energética com atributos que poucos países possuem.
Entre eles, citou a forte participação de fontes renováveis na geração elétrica e a expansão da produção de etanol, biodiesel, biometano, combustível sustentável de aviação (SAF) e combustíveis derivados da biomassa.
Produção de energia e alimentos
Um dos principais pontos defendidos foi que o crescimento dos biocombustíveis não compromete a segurança alimentar.
O argumento apresentado é que o avanço da produção energética no campo ocorre de forma integrada ao aumento da produção de alimentos e proteína animal, aproveitando subprodutos industriais para alimentação de bovinos, aves e suínos.
“No Brasil nós conseguimos ter um caminho de virtuosidade onde o aumento dos biocombustíveis da sua produção casou-se, harmonizou-se com a produção de proteínas”, destacou Jardim.
A ideia, segundo o discurso, é substituir o conceito de disputa entre alimento e energia por um modelo de complementaridade entre as cadeias produtivas. “É fuel for food, não fuel versus food”, complementou Jardim.
Lei do Combustível do Futuro
Durante a apresentação, também foi destacada a regulamentação brasileira voltada ao setor.
Jardim citou a Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024) como um instrumento que cria previsibilidade para investimentos e estabelece metas graduais de ampliação da participação dos biocombustíveis na matriz nacional.
Entre os pontos mencionados estão:
- ampliação da mistura de etanol à gasolina;
- avanço gradual da mistura de biodiesel;
- início da incorporação obrigatória do combustível sustentável de aviação (SAF);
- expansão de diesel verde e biocombustíveis marítimos.

Segundo o representante da FPA, a proposta recebeu apoio amplo no Congresso, o que, na avaliação apresentada, gera maior estabilidade para investimentos de longo prazo.
Investimentos e protagonismo regional
Outro destaque foi o crescimento dos investimentos ligados ao etanol de milho e ao SAF.
Mato Grosso do Sul foi citado como um dos estados com potencial de protagonismo nesse movimento, impulsionado pela expansão industrial e pela proximidade com polos de produção agrícola.
Também foram mencionados projetos em desenvolvimento para ampliar a produção nacional de combustíveis sustentáveis, com expectativa de consolidar o Brasil como fornecedor global de energia renovável.
Jardim reforçou o convite para que investidores internacionais ampliem presença no país e apresentou um documento chamado “Mapa do Caminho”, voltado à expansão gradual dos biocombustíveis como alternativa para abastecer e movimentar a economia global.