COMÉRCIO INTERNACIONAL

Brasil tem que investir em rastreabilidade para acessar mercado da UE, afirma conselheiro

No Fiap 2026, discussão sobre abertura de mercado trata de avanços comerciais e não deixa de lado a questão dos antimicrobianos

Representantes da União Europeia e da ApexBrasil no Fiap 2026
Representantes da União Europeia e da ApexBrasil no Fiap 2026. Foto: Junner Schmidt

O acordo entre Mercosul e União Europeia foi tema de debate no Fórum Internacional do Agronegócio (Fiap) 2026, evento que ocorre nesta quinta-feira (18), em Campo Grande (MS). O destaque ficou por conta da combinação entre ampliação de acesso a mercado e aumento das exigências regulatórias no comércio agrícola.

Participaram do debate o gerente de agronegócio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Pedro Henrique de Souza Netto, e o conselheiro da Embaixada da União Europeia, Damian Lluna.

Acordo já gera ganhos imediatos, diz ApexBrasil

Pedro Henrique de Souza Netto afirmou que o acordo Mercosul–UE já começa a produzir resultados concretos para o agro brasileiro, especialmente na redução de barreiras tarifárias e abertura de mercados.

“Esse acordo é talvez a maior mostra de oportunidade que a gente tem”, disse.

Segundo ele, os efeitos já aparecem em cadeias como a fruticultura, com impacto direto na competitividade de produtos como a uva no mercado europeu.

“O produtor rural do semiárido acordou sem imposto de importação”, afirmou, ao citar a eliminação de uma tarifa de 11,5%.

Ele destacou que a medida muda a posição do Brasil em relação a concorrentes que já operam com acesso preferencial à União Europeia e amplia a presença de produtos brasileiros em mercados mais exigentes.

Industrialização e novos mercados entram no radar

Além do efeito imediato nas exportações, Pedro ressaltou que o acordo também abre espaço para uma mudança estrutural na pauta brasileira, com maior foco em produtos de valor agregado.

“O acordo permite não só exportar mais, mas atrair investimento e industrializar aqui dentro”, afirmou.

Ele citou o café como exemplo de cadeia que pode ganhar competitividade com a redução gradual de tarifas sobre produtos processados, como o café solúvel, hoje ainda sujeito a barreiras no mercado europeu.

A avaliação é de que o movimento pode estimular novos investimentos industriais no Brasil, tanto de empresas nacionais quanto estrangeiras.

UE destaca integração e comércio já consolidado

O conselheiro da União Europeia afirmou que o acordo está inserido em uma estratégia mais ampla de diversificação de mercados e estabilidade no comércio internacional.

Ele destacou que a União Europeia segue como um dos principais parceiros comerciais do Brasil e do Mercosul, além de um dos maiores investidores na economia brasileira. Segundo Lluna, o relacionamento comercial já é consolidado e tende a se aprofundar com a implementação do acordo.

Ao tratar das exigências do acordo, o conselheiro afirmou que a adaptação a padrões sanitários e de rastreabilidade será determinante para o acesso ao mercado europeu.

“Essa questão da rastreabilidade é muito importante e exige investimento maior”, disse. Nesse contexto, ele completa: “O Brasil tem que investir em rastreabilidade para acessar mercado da UE”.

O representante do bloco europeu também explicou que regras como o controle do uso de antimicrobianos fazem parte de uma política consolidada de saúde pública na União Europeia e vêm sendo aplicadas há anos.

Segundo ele, não se trata de uma exigência recente, mas de um processo regulatório contínuo que agora se estende também aos países exportadores.

Ajustes regulatórios e novos desafios

O representante europeu destacou ainda que a implementação do acordo envolve desafios técnicos, como regras de origem, gestão de cotas e convergência regulatória entre os blocos.

Lluna lembrou que produtos sensíveis foram tratados com abertura gradual e mecanismos de transição ao longo de anos de negociação.

Na avaliação dele, o avanço do acordo dependerá não apenas da abertura comercial, mas também da capacidade de adaptação às exigências técnicas do mercado europeu.

O Fiap 2026 é uma realização da BR IN Eventos e do Canal Rural, com correalização do Sistema Famasul. O evento conta com patrocínio da ApexBrasil, Sebrae, CNA/Senar e Friboi, apoio da Abiec, Governo de Mato Grosso do Sul, Massey Ferguson e CropLife, e tem a Azul como linha aérea oficial.