EVENTO EM CAMPO GRANDE

'Não há vida sem agro', diz Roberto Rodrigues na abertura do Fiap 2026

Ex-ministro destaca o papel do agro na oferta de alimentos, energia e no enfrentamento dos principais desafios mundiais

Ex-ministro Roberto Rodrigues durante abertura do Fiap 2026
Ex-ministro Roberto Rodrigues durante abertura do Fiap 2026. Foto: Junner Schmidt

A segurança alimentar, a produção de energia, as mudanças climáticas e a redução da desigualdade social serão os principais desafios globais das próximas décadas. A avaliação foi feita pelo ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, durante a abertura do Fórum Internacional da Agropecuária (Fiap) 2026, em Campo Grande (MS).

Ao longo da apresentação, intitulada de “Brasil, fonte de alimentos e energia para o futuro do planeta”, Rodrigues defendeu que a agricultura tropical terá papel decisivo para enfrentar esses desafios e afirmou que o Brasil reúne condições únicas para liderar esse processo.

“Sem comida não tem paz. Segurança alimentar não é uma expressão idiomática. É um tema central para a estabilidade política e social em qualquer país do mundo”, afirmou.

Segundo ele, a pandemia evidenciou a importância estratégica dos alimentos e da energia para o equilíbrio econômico e social dos países. Na avaliação do ex-ministro, a valorização das commodities agrícolas e energéticas colocou os países capazes de produzir esses recursos em posição de destaque no cenário internacional.

Além dos alimentos e da energia, Rodrigues citou o potencial brasileiro em minerais críticos, como as terras raras, como outro fator que amplia a relevância do país no contexto geopolítico atual.

Agricultura tropical como solução

Para Rodrigues, a solução para os principais desafios globais passa pela expansão sustentável da agricultura tropical, especialmente na América Latina, África e parte da Ásia.

“A agricultura tropical é a solução para esses quatro problemas: alimento, energia, desigualdade social e clima bem cuidado”, disse.

O ex-ministro destacou o papel da pesquisa agropecuária brasileira nesse processo, especialmente por meio da Embrapa. Segundo ele, o desenvolvimento tecnológico permitiu que a produção agrícola crescesse muito mais rapidamente que a expansão da área cultivada.

Ele lembrou que a área plantada no Brasil cresceu pouco mais de 100% nas últimas décadas, enquanto a produção avançou quase cinco vezes mais, resultado atribuído principalmente aos ganhos de produtividade.

“Isso é tecnologia. Simplesmente tecnologia.”

Produzir mais preservando

Durante a palestra, Rodrigues também reforçou a contribuição do agro brasileiro para a preservação ambiental.

Segundo ele, os avanços tecnológicos permitiram ampliar a produção sem a necessidade de expandir áreas agrícolas na mesma proporção, preservando milhões de hectares de vegetação nativa.

“Isso é sustentabilidade na veia. Não é proposta, não é sonho. É uma coisa que aconteceu de verdade no Brasil”, afirmou.

O ex-ministro destacou ainda a matriz energética brasileira, classificada por ele como uma das mais limpas do mundo, com forte participação de fontes renováveis como hidrelétricas e biocombustíveis.

Falta estratégia para aproveitar oportunidades

Apesar do potencial brasileiro, Rodrigues afirmou que o país corre o risco de perder oportunidades por falta de planejamento de longo prazo.

Ele defendeu uma política consistente de gestão de risco no campo, com destaque para o seguro rural, além de acordos comerciais, investimentos em infraestrutura, logística, fertilizantes, irrigação e inteligência artificial.

“Acho que vamos perder esse trem. Mais um trem que vamos perder. Não temos estratégia.”

Ao comentar os recentes cortes nos recursos destinados ao seguro rural, o ex-ministro classificou a situação como preocupante e afirmou que o instrumento é fundamental para garantir estabilidade aos produtores e ampliar o acesso ao crédito.

‘Não há vida sem agro’

Na parte final da apresentação, Rodrigues fez uma defesa da aproximação entre o campo e a cidade. Ele afirmou que, ao longo da carreira, percebeu que produtores rurais e população urbana são interdependentes.

Segundo ele, o campo depende das cidades para ter acesso a tecnologia, crédito, máquinas, insumos e serviços. Já a população urbana depende da produção agropecuária para alimentação, vestuário e diversos produtos do cotidiano.

“O produtor rural depende da cidade para produzir e para vender sua produção. E a cidade depende dele para viver.”

Ao encerrar a palestra, o ex-ministro resumiu a mensagem que considera central para o setor agropecuário.

“Não há vida sem agro. Não há vida sem agro.”

Para Rodrigues, o Brasil pode assumir protagonismo global ao ensinar outros países a produzir alimentos de forma sustentável, competitiva e com preservação dos recursos naturais.

“Podemos ser o campeão mundial da paz. E acho que não tem nenhum sonho maior do que esse.”

O Fiap 2026 é uma realização da BR IN Eventos e do Canal Rural, com correalização do Sistema Famasul. O evento conta com patrocínio da ApexBrasil, Sebrae, CNA/Senar e Friboi, apoio da Abiec, Governo de Mato Grosso do Sul, Massey Ferguson e CropLife, e tem a Azul como linha aérea oficial.