PREOCUPAÇÃO NO CAMPO

Colheita da Soja avança, mas alta do diesel aperta margens do produtor

Produtores baianos monitoram com preocupação cenário global que interfere no preço dos combustíveis no Brasil

Colheita da Soja avança, mas alta do diesel aperta margens do produtor
Imagem: Marca Comunicação

Após semanas de chuvas intensas que desafiaram as máquinas no campo, a colheita da soja no Oeste da Bahia ganha ritmo, mas traz também uma nova preocupação para o produtor rural: a volatilidade do mercado internacional. Com a intensificação dos trabalhos — que já atingiram mais de 50% da área plantada, segundo a Aiba (Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia) — o foco agora recai sobre o aumento expressivo no preço dos combustíveis e os impactos da geopolítica global no custo de produção.

A alta nos preços do petróleo, impulsionada por conflitos no Oriente Médio, reflete diretamente no dia a dia das fazendas do Oeste baiano. Para Gabriel Araújo, diretor de produção de um grupo de fazendas, o cenário atual é de “margens estreitas”.

“Estamos tendo uma implicação negativa, pois o custo dos combustíveis tem tido acréscimos praticamente semanais. Isso gera um clima de instabilidade que onera nosso custo final”, explica Araújo.

O produtor rural Jarbas Bergamaschi reforça que, embora o produto esteja disponível nas bombas, o peso no bolso é o que assusta.

“Por enquanto não falta combustível, estamos comprando normal, mas o preço aumentou consideravelmente. Na colheita, que é quando mais usamos diesel, isso eleva muito o custo”, pontua.

Risco de desabastecimento é descartado

Apesar do receio de alguns produtores de que a alta demanda e as incertezas globais possam levar à falta de insumos, a Associação Nacional dos Distribuidores de Combustíveis (ANDC) tranquiliza o setor.

Segundo o presidente da entidade, Francisco Neves, a infraestrutura brasileira é robusta o suficiente para suportar os “solavancos” geopolíticos.

“Não há risco de falta de produto. O Brasil tem uma estrutura gigantesca de produção, armazenamento e terminais de importação. Essa infraestrutura suporta as variações decorrentes dos conflitos no Oriente Médio. O agricultor não precisa se preocupar em não encontrar óleo diesel”, garante Neves.

O presidente da ANDC explica ainda que a alta percebida nas bombas é reflexo direto da valorização da matéria-prima. Entre o final de fevereiro e meados de março, o barril de petróleo saltou de US$ 70 para cerca de US$ 100 — uma alta superior a 40%. Como o Brasil adota o regime de preços livres, essa variação é repassada conforme a oferta e a demanda.

Gestão e cautela no campo

Para o presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Moisés Schmidt, o momento exige que o produtor mantenha o monitoramento constante sobre todos os insumos, desde fertilizantes até a tecnologia empregada.

“É um momento de muita atenção em todos os sentidos. O produtor está sempre atento, interferindo diretamente na gestão desses insumos que vão para a produção”, destaca.

Ainda de acordo com a ANDC, a recomendação de especialistas é evitar compras por impulso motivadas pelo pânico, o que poderia gerar um desequilíbrio artificial no mercado local.

Enquanto o cenário internacional não se estabiliza, a ordem no Oeste Baiano é seguir com as máquinas no campo, mantendo o olho no clima e o outro nas tabelas de preços globais.


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