PESQUISA

Experimento aponta ganho de até 12 sc/ha na soja com uso de remineralizador

Estudo em área comercial mostra aumento de aproximadamente 25% na produtividade e reforça avanço de tecnologias voltadas à saúde do solo

Foto: Divulgação
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Em um momento em que o agronegócio busca elevar a produtividade com maior eficiência no uso de insumos, um experimento realizado pela Mineragro Pesquisa Agronômica identificou ganhos de até 12 sacas por hectare na produção de soja com a utilização de um remineralizador de solo fabricado por uma empresa baiana.

O estudo, conduzido em áreas comerciais de cultivo, comparou diferentes estratégias de manejo envolvendo remineralizadores e bioinsumos.

Segundo os pesquisadores, a área tratada com o remineralizador apresentou incremento de aproximadamente 25% na produtividade em relação às parcelas sem aplicação.

Além disso, houve melhorias no desenvolvimento das plantas e nos indicadores de atividade biológica do solo.

Os resultados acompanham uma tendência observada no agronegócio brasileiro. O mercado de bioinsumos, por exemplo, movimentou R$ 6,2 bilhões em 2025, crescimento de 15% em relação ao ano anterior, enquanto a área tratada com essas tecnologias avançou 28%, alcançando 194 milhões de hectares, segundo levantamento do CropData, portal de dados da CropLife Brasil.

Entre os cultivos consolidados no uso de bioinsumos estão, a soja responde por 62%, o milho, 22% e a cana, 10%. Além delas, de acordo com o levantamento, o conjunto de outras culturas como algodão, café, citrus e hortifruti (HF) somam, aproximadamente, 6%.

Os números refletem a crescente adoção de soluções voltadas à eficiência agronômica e à sustentabilidade.

Avaliação positiva

Segundo a equipe técnica responsável pelo experimento, a combinação entre remineralizadores e bioinsumos representa uma estratégia capaz de fortalecer a fertilidade do solo ao longo do tempo e contribuir para sistemas produtivos mais resilientes.

“O objetivo foi avaliar tecnologias que promovam não apenas ganhos de produtividade, mas também melhorias na qualidade do solo e maior equilíbrio biológico das áreas cultivadas. Os resultados demonstram que os remineralizadores podem desempenhar um papel importante dentro de um manejo integrado”, destaca o gestor comercial da Vulcano Agrominerais, Stéfano Lima.

O remineralizador é produzido a partir de rochas silicáticas e atua na reposição gradual de nutrientes e minerais essenciais ao solo. Além do aumento observado na produtividade, o experimento registrou melhorias no desenvolvimento radicular das plantas e na atividade microbiológica, fatores considerados estratégicos para a sustentabilidade da produção agrícola.

O avanço dessas tecnologias também é respaldado por pesquisas da Embrapa, que apontam benefícios econômicos e agronômicos da adoção conjunta de remineralizadores e bioinsumos. Estudos da instituição mostram que esses sistemas podem reduzir custos de produção, aumentar a rentabilidade e oferecer maior segurança econômica ao produtor, especialmente em cenários de volatilidade dos fertilizantes convencionais.

Com o Brasil consolidado como maior produtor mundial de soja, estimativa de produção superior a 427 milhões de toneladas no mundo e liderança brasileira no setor, cresce a busca por tecnologias capazes de elevar a eficiência das lavouras sem ampliar proporcionalmente os custos de produção.

Nesse contexto, resultados obtidos em pesquisas de campo reforçam o potencial dos remineralizadores como ferramentas cada vez mais presentes nos sistemas agrícolas brasileiros.

Estudos

A Embrapa também realiza estudos sobre essa alternativa de insumo agrícola. De acordo com a Embrapa Cerrados, os remineralizadores são insumos acessíveis aos agricultores.

Segundo artigo publicado por pesquisadores, em 2023, a dissertação já apontava no Brasil, cerca de 5 milhões de hectares que receberam os remineralizadores, os quais, na época, apresentaram resultados consistentes em campo.

De acordo com os pesquisadores Eduardo de Souza Martins, Pablo Rodrigo Hardoim, Éder de Souza Martins, solos tropicais pobres em minerais novos e nutrientes são mais responsivos, o que pode ser potencializado pela redução de pesticidas que comprometem a vida no solo e pelo uso de culturas de cobertura que colaboram para a diversidade e para o aporte de carbono.