
A JBS, uma das maiores exportadoras de carne bovina do mundo e com 18 das 34 unidades brasileiras habilitadas a exportar para a China, vai interromper a produção de cortes específicos para o mercado chinês a partir deste sábado (20). A decisão busca evitar que embarques cheguem ao destino após o limite permitido pela cota de importação.
Na próxima semana, as unidades vão concentrar as atividades na desossa e no embarque dos últimos navios. Atualmente, metade dos frigoríficos da companhia está habilitada para produzir para o mercado chinês. A partir de agora, a produção será direcionada ao mercado interno e também à abertura de novos mercados internacionais.
Segundo o presidente da Friboi e do Conselho da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Renato Costa, após essa data a estratégia será concentrar as operações no escoamento das cargas já programadas, reduzindo o risco de que os produtos desembarquem na China fora do volume autorizado.
Pelos cálculos do setor frigorífico, ainda há margem para exportações até o fim de junho sem exceder a cota de 1,1 milhão de toneladas prevista para 2026. Dados consolidados pelo governo chinês mostram que o Brasil já havia utilizado mais de 50% do volume autorizado até 9 de maio.
Com o elevado número de cargas em trânsito, impulsionado pelas exportações de quase 154 mil toneladas registradas em maio, frigoríficos e importadores passaram a adotar uma postura mais cautelosa na negociação de novos embarques.
Costa, aposta no aumento do consumo interno em função da Copa do Mundo e de um trabalho de promoção de marcas realizado nos últimos meses para ajudar a redirecionar a produção.