ESTÚDIO RURAL

Pecuarista precisa ser mais profissional e usar ferramentas de proteção de preço

Uso de ferramentas de proteção de preço, segundo especialista, podem auxiliar em momentos de alta de custo de produção e baixa da arroba

estúdio rural Rafael Grings pecuária
Foto: Canal Rural Mato Grosso

Líder em rebanho bovino, com mais de 34,4 milhões de cabeças, Mato Grosso tem visto o preço da arroba em baixa, não cobrindo os investimentos realizados pelos pecuaristas. Segundo especialistas, o pecuarista precisa ser mais proativo, profissional e utilizar ferramentas de proteção de preço que o auxiliem a mitigar as perdas.

Na semana que passou, a arroba do boi gordo no estado foi vista em torno de R$ 172, cerca de 30% a menos que o verificado em janeiro de deste ano e mais de 45% inferior a janeiro de 2022.

Rafael Grings, consultor de comercialização da Hedge Agro Consultoria, frisa que a pecuária está passando por um momento, uma fase histórica. “Nunca ocorreu em anos anteriores uma variação de preço da arroba tão grande igual aconteceu agora”. O especialista salienta que a situação não somente pega o pecuarista despreparado, mas toda a cadeia.

Durante entrevista ao Estúdio Rural deste sábado (16) o especialista pontua que a importância do preço da arroba não é somente gerar renda, mas ele tem que ter a capacidade de gerar caixa.

“Viemos de um ciclo pecuário muito forte e ele influencia muito também no preço da arroba do boi gordo”, diz ao lembrar de 2019 quando se viu uma baixa oferta de bezerros e a arroba batendo na casa dos R$ 330, além do embargo da China.

“Carne é uma commoditie. Você está exposto a vários fatores globais. Se tiver algum tipo de embargo, alguma tarifação, então são reflexos muito imediatos. E um ponto que também ocorreu nos últimos tempos é que esse movimento de queda se antecipou no mercado financeiro. Para quem acompanha o preço da arroba no mercado financeiro fazíamos os contratos na B3 a R$ 250 e veio para R4 190. Estamos falando de R$ 60. Então, muitas vezes o mercado financeiro pode se antecipar a algum movimento futuro que pode ocorrer”.

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Foto: Canal Rural Mato Grosso

Tomadas de decisões do pecuarista

Na avaliação de Rafael Grings é arriscado o pecuarista deixar para tomar decisões no momento em que o animal está pronto.

“Imagina o pecuarista, que está engordando, segurando aquele animal por dois anos e ele tem que tomar a decisão e ele deixa para tomar no momento em que aquele animal está pronto e o mercado cai R$ 60. Então, o pecuarista tem que começar a ser mais proativo, um pouco mais profissional”.

Conforme o especialista, não somente ferramentas de gestão, mas também de proteção de preço são essenciais.

“As ferramentas de proteção de preço podem ser utilizadas dentro do planejamento para evitar essas situações que estão acontecendo agora. Fazer esse processo no começo. eu vou começar esse animal agora em junho, julho, vou abater em outubro, novembro, então já faz a proteção de preço. Não deixa para a última semana em vender esse animal, pois você terá muitas vezes que aceitar aquilo que o mercado está entregando”.

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