Cana

Etanol: federação de Minas Gerais faz apelo ao governo para ajudar setor

Além de pedir pacote de ajuda ao setor sucroenergético, entidade lançou uma campanha para que os brasileiros deem preferência ao etanol na hora de abastecer o carro

cana sendo colhida
Foto: Neide Makiko/ Embrapa Informática Agropecuária

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) fez um apelo para que o governo libere medidas de ajuda ao setor sucroenergético, afetado pelo novo coronavírus. Segundo a entidade, a redução da demanda por combustíveis, causada pela pandemia da Covid-19, derrubou o preço do petróleo em todo o mundo. Nesta semana, a cotação do barril atingiu preço negativo pela primeira vez na história.

Além disso, a Faemg afirma que o etanol, depois de sofrer com essa desvalorização do petróleo, está diante de uma grande safra de cana-de-açúcar em todo o país, aumentando ainda mais a oferta.

A entidade pede que medidas como a redução do PIS/Cofins do etanol, aumento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina e a abertura de linha de crédito de R$ 9 bilhões para estocagem de etanol sejam liberadas ainda nesta semana.

A federaçaõ também está promovendo campanha para que os brasileiros, no abastecimento de seus veículos,  deem preferência ao etanol, garantindo empregos e a arrecadação do estado. “Ao contrário do petróleo, que pode ter extração suspensa por um período, a cana precisa ser colhida e processada. As usinas brasileiras já estão comercializando abaixo do custo, e toda a cadeia produtiva, a começar pelo agricultor, está em risco”, disse a analista de agronegócios do Sistema Faemg, Ana Carolina Gomes.

Minas Gerais ocupa atualmente a terceira posição na produção nacional de cana, com 68 milhões de toneladas e 824 mil hectares plantados. No estado, há 34 usinas de açúcar e álcool, que produziram 3,6 bilhões de litros do biocombustível na temporada 2018/2019.

Ajuda

A expectativa era que parte do plano econômico de auxílio ao setor de cana-de-açúcar fosse divulgado nesta quinta-feira, 23. Na última sexta-feira, 17, as três demandas do setor, alinhadas com Ministério da Agricultura e do Ministério de Minas e Energia, foram entregues à uma equipe da Secretaria Especial da Fazenda. Nos últimos dias, técnicos do Ministério da Economia trabalharam na viabilização dos pedidos.

Nesta quarta, 22, o secretário de Política Agrícola, Eduardo Sampaio, confirmou ao Canal Rural que as medidas de redução temporária dos impostos PIS/Cofins e de aumento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) para a gasolina estão na mesa do presidente da República e dependem, apenas, da assinatura dele.

Produtores e industriais de cana acreditam que a redução do PIS/Cofins chegue a uma isenção. Já a Cide, que atualmente está em R$ 0,10 por litro de gasolina, pode ser aumentada para R$ 0,40. Na análise feita até o momento, esse aumento do imposto não traria grandes prejuízos nem ao setor dos combustíveis fósseis e nem ao consumidor final.

O aumento do imposto é uma tentativa de garantir a estabilização do preço da gasolina e, consequentemente, uma competição mais justa entre o biocombustível e o combustível fóssil. Em caso de aumento de valores nos barris de petróleo, a Cide pode voltar a ser diminuída.

Estocagem de etanol

Outra medida que tem sido trabalhada por técnicos do Ministério da Fazenda é a criação de uma linha de crédito para estocagem de etanol. O setor espera que, ao menos, 6 bilhões de litros de etanol possam ser armazenados para segurar os preços de venda dos produtos. O financiamento de estoques de biocombustível deve ser feito por meio de warrantagem, ou seja, a partir da emissão de títulos de garantia. Mas, diferente das outras propostas, essa segue em estudo.

Apesar de não terem sido divulgadas estimativas de investimento por parte do Tesouro Nacional para a viabilização dessa demanda, por trâmites tradicionais, ela precisaria ser aprovada pelo Conselho Monetário Nacional. Porém, Sampaio explica que o governo trabalha para encontrar fundos disponíveis que tenham compatibilidade com os gastos previstos para a concretização da medida. Uma saída provável seria utilizar o crescimento na arrecadação de impostos com o aumento da Cide sobre a gasolina como base de financiamento para a venda de títulos de garantia.

A expectativa do governo é de que os detalhes sobre a linha de crédito para estocagem sejam definidos até a próxima semana.