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Chuva deve abandonar o milho segunda safra em fase crítica

Precipitação que alcança algumas áreas produtoras nos próximos dias não deve ser volumosa, nem duradoura, segundo a meteorologia

Entre sexta-feira, 30, e sábado, 1º de maio, uma instabilidade climática deve contribuir que um precipitação de chuva avance para lavouras de milho segunda safra  no Sul, alcançando o Triângulo Mineiro, São Paulo, sudoeste de Goiás, Paraná, sul de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

De acordo com a Somar Meteorologia, o problema é que a chuva não será volumosa e muito menos abrangente. O acumulado vai ficar inferior a 10 milímetros, e não vai mudar o atual cenário agrícola. Apesar disso, há risco de tempestades em Mato Grosso do Sul no próximo domingo, com rajadas de vento de até 70km/h.

“Atualmente, a falta de chuva preocupa mais do que o frio previsto. Há chance de geada nesta semana, mas apenas para os pontos mais altos da serra, sem risco para o milho segunda safra. A baixa umidade do solo em junção com a previsão de pouca chuva é o que mais preocupa”, diz Celso Oliveira, meteorologista da Somar.

Além disso, esta semana será caracterizada por chuva forte desde o Recôncavo Baiano até o leste da Paraíba e boa parte da região Norte. No noroeste do Amazonas, são estimados mais de 200 milímetros em apenas sete dias, mantendo elevado o nível do rio Negro. “Tudo leva a crer em uma cheia histórica em Manaus e ao longo da calha do rio Amazonas, já que também houve cheia expressiva nos afluentes que passam por Rondônia e Acre neste ano”, afirma.

Na região Sul, por outro lado, quase não há previsão de chuva nesta semana e a temperatura ficará mais baixa com potencial para geadas na região de Urupema (SC) na terça, 27, e quarta-feira, 28. A partir do próximo domingo, 2, teremos a formação de um bloqueio atmosférico. Isso significa que entre os dias 2 a 10 de maio, as frentes frias vão ficar mais ativas sobre a região Sul, principalmente entre o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e sul do Paraná.

Há previsão de pelo menos 50 milímetros no leste do Rio Grande do Sul entre 3 e 9 de maio, mas simulações mais extremas indicam até 150 milímetros sobre o estado. “O fato é que a volta da chuva vai acontecer em um momento em que boa parte das safras de soja e arroz já estarão colhidas e a precipitação servirá para aumento da umidade do solo para posterior preparo e instalação das culturas e pastagens de inverno”, diz Oliveira.

No Paraná, a chuva não vai alcançar todo o estado, mas vai aumentar a umidade do solo para mitigar perdas na segunda safra de milho e avanço na instalação do trigo no sul do Paraná. Por outro lado, a chuva cessa de vez no centro do país, área que engloba o norte de São Paulo, leste de Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, sul de Tocantins e interior da Bahia.

No decorrer do mês de maio, não há previsão de grandes mudanças. A chuva prevista entre 11 e 15 de maio sobre o Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul deve ser vista com cautela por conta da temperatura do Pacífico leste mais baixa que o normal. É possível que a chuva até retorne para boa parte do Brasil, mas somente mais para o fim de maio, início de junho.

O trimestre mais seco

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, na divisa de São Paulo com Mato Grosso do Sul (CPTEC/INPE), o primeiro trimestre de 2021 foi o mais seco em pelo menos 40 anos, passando o ano de 2005, o mais seco até então. A seca persistente praticamente inviabiliza o cultivo de laranja no noroeste de São Paulo e diminui de forma considerável a qualidade de canaviais das regiões noroeste e oeste do Estado de São Paulo e leste de Mato Grosso do Sul.

“Não foi à toa que na terça-feira da semana passada, dia 20 de abril, o preço do açúcar subiu em Nova Iorque e Londres entre outros motivos pela possível diminuição na produção do Brasil”, afirma o meteorologista.

Para estas áreas, não há previsão de chuva significativa nas próximas semanas e a umidade do solo segue baixa com índices de apenas 10%, sendo que o mínimo tolerável para o bom desempenho das culturas é algo em torno dos 60% de água disponível no solo.