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Chuva não deve dar trégua tão cedo ao centro e Norte do Brasil

De acordo com a Somar Meteorologia, simulações mais recentes diminuíram o período de tempo seco na maioria dos estados

Nas próximas duas semanas, a chuva permanecerá sobre o centro e Norte do Brasil. Até o fim da semana passada, havia expectativa de uma trégua maior nas precipitações em meados de março, que ajudaria na colheita da safra e instalação do safrinha, mas simulações mais recentes diminuíram o período.

No sábado que vem, 13, até há previsão de muito calor em Mato Grosso indicando uma manhã ensolarada em todo o estado, porém a partir do dia seguinte, a chuva volta a cair a qualquer momento declinando a temperatura. Outra data com calor em todo o estado será a quarta-feira, 17. Porém mais uma vez, no dia seguinte, o tempo voltará a ficar chuvoso. Apesar de tantos problemas, o tempo chuvoso é normal nesta época do ano, ainda mais sob influência do La Niña.

Nos próximos sete dias, o acumulado alcançará 125 milímetros no oeste de Minas Gerais, 150 no sudoeste da Bahia e no norte de Mato Grosso e entre 175 e 200 milímetros no Pará e Amazonas.

Por outro lado, vai chover pouco sobre a região Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul, facilitando a retomada dos trabalhos em campo. Somente em Paranaguá, estimam-se uns 30 milímetros entre terça, 9, e quarta-feira, 19, com a formação de um sistema de baixa pressão na costa da região Sul.

A tendência é de diminuição da umidade do solo em todo o Centro-Sul do Brasil, embora os valores elevados registrados neste início de semana sejam suficientes para o desenvolvimento agrícola em boa parte da região. Apenas no oeste, sul e centro do Rio Grande do Sul, a umidade do solo permanecerá baixa ou cairá para valores inferiores ao mínimo desejável para o desenvolvimento agrícola.

Com exceção do Nordeste, não há previsão de grandes desvios de temperatura. No Sul, até há previsão de mais de 36 °C no oeste do estado no no próximo fim de semana, mas as madrugadas serão frias. Já no Vale do São Francisco, a temperatura ficará até 5 °C mais elevada que o normal nesta semana.

Entre 15 e 21 de março, a chuva mais intensa que o normal permanecerá sobre as regiões Sudeste e Centro-Oeste. A precipitação deverá começar a enfraquecer sobre o centro e Norte do país apenas no decorrer da primeira quinzena de abril, algo normal por sinal.

Chuva atrapalhando

O ciclo da soja nesta safra 2020/2021 enfrentou adversidades climáticas desde o plantio com estiagens, até a colheita, com a chuva excessiva. Nos últimos sete dias, mesmo com a migração da chuva mais intensa para a região Sul, a colheita da soja permaneceu parada em Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins pelo excesso de chuva. O corredor de umidade que alimentou a chuva da região Sul passou justamente por cima destes estados. Quem teve melhor condição para colheita foram produtores de Minas Gerais e leste de Goiás, que receberam menos chuva que o normal.

Nos últimos sete dias, destacamos acumulados de 195 milímetros em Itaquiraí (MS), 140 mm em Umuarama (PR) e 125 mm em Marília (SP). Em Mato Grosso, relatos indicam chuva de até 200 milímetros em apenas 24 horas em Sorriso-MT, mas a falta de manutenção das estações meteorológicas do INMET impede que este registro se torne oficial. Em São José do Rio Claro-MT, choveu 125 em sete dias. Além do interior, choveu intensamente sobre os portos de Santos, Paranaguá e Miritituba, embora nos dois primeiros, a situação atual seja bem melhor para embarque de grãos.