
A Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) discutiu, nesta terça-feira (23), em Brasília, as expectativas para o mercado do boi gordo no segundo semestre de 2026 e a disponibilidade de vacinas contra clostridioses no país. A reunião também tratou do Protocolo Privado de Exportação de Bovinos Livres de Antimicrobianos.
Na abertura do encontro, o vice-presidente da comissão, Rafael Gratão, afirmou que o colegiado tem o papel de discutir temas atuais da cadeia produtiva, esclarecer dúvidas e alinhar demandas dos produtores.
O gerente da área de Gestão de Risco para a Pecuária da StoneX, Victor Novaes, apresentou os principais fatores que influenciaram o mercado do boi gordo nos cinco primeiros meses de 2026. Segundo ele, as exportações brasileiras de carne bovina registraram o melhor resultado da história no período.
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Novaes destacou que a China segue como principal destino da carne brasileira e respondeu por 58,7% dos embarques em maio. Ele avaliou que a concentração das vendas no mercado chinês exige atenção, especialmente porque as cotas podem alcançar 90% ainda em junho. O consultor afirmou que o país asiático elevou em 24,5% o valor pago pela carne brasileira entre dezembro e maio, enquanto outros destinos, como os Estados Unidos, operam com preços menores e volumes inferiores.
No mercado interno, Novaes apontou preocupação com os preços das proteínas concorrentes e observou que eventos como Copa do Mundo e eleições podem influenciar o consumo. No cenário externo, citou incertezas ligadas à demanda chinesa e informou que alguns frigoríficos já deixaram de abater para o mercado asiático. Segundo ele, a oferta permanece forte, mas o confinamento trabalha com volume inferior ao do ano anterior.
Na área sanitária, o assessor técnico da comissão, Rafael Lima Filho, apresentou o quadro de disponibilidade de vacinas contra clostridioses, grupo de doenças que inclui botulismo, tétano e gangrena gasosa. Ele informou que a CNA atua desde fevereiro junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), ao Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) e a laboratórios fabricantes e importadores para buscar soluções para o desabastecimento relatado por produtores e federações estaduais.
Rafael Lima Filho informou que, de março a abril, foram disponibilizadas pouco mais de 14 milhões de doses. Na primeira quinzena de maio, o volume chegou a 27 milhões de doses. A estimativa do Sindan é de disponibilização de aproximadamente 154 milhões de doses até dezembro.
A reunião também abordou o Protocolo Privado de Exportação de Bovinos Livres de Antimicrobianos. O presidente da Associação Brasileira das Empresas de Certificação por Auditoria e Rastreabilidade (Abcar), Luiz Henrique Witzler, informou que o protocolo, de adesão voluntária, já foi homologado pelo Mapa. Segundo ele, o certificado tem validade de 12 meses e atende exigências sanitárias de alguns mercados em relação ao não uso de antimicrobianos.
Fonte: cnabrasil.org.br