De acordo com o diretor técnico da Informa Economics FNP, José Vicente Ferraz, o aumento da população mundial não é o único fator influente no aumento de consumo de carne.
– O acelerado crescimento do consumo de proteínas animais não se deve apenas ao aumento da população mundial. O fator mais importante é o surgimento de um grande contingente populacional, que ascendeu em termos econômicos e tem melhores condições de acesso a esses alimentos – disse em nota Ferraz.
O diretor explicou que, com base em dados do BNP Paribas, no Brasil, por exemplo, estima-se em 60 milhões o número de habitantes que saiu da classe D para as mais privilegiadas. Em 2006, 34% da população se encaixava no estrato definido como classe C; em 2011, o porcentual foi de 54%.
Conforme o AnualPec 2012, as pessoas com renda de até US$ 7/dia que têm aumento de renda elevam seus gastos em produtos alimentícios. A renda pessoal é proporcional ao consumo de proteína animal, é o que consta a professora da Universidade de São Paulo (FEA-RP/USP), Maria Stella B. Lemos de Melo Saab
– Quanto maior a renda, maior o consumo de carnes e de produtos mais caros, principalmente dos cortes de primeira. Na mesma situação, a compra de linguiças e mortadela diminui, da mesma forma que os cortes bovinos de segunda e as carnes de aves – afirmou.
Mudança na cadeia de produção
As alterações nos hábitos dos consumidores é sentida em toda a cadeia produtiva. Eles estão mais atentos a sistemas de rastreabilidade, marcas e rótulos.
– O crescimento significativo da participação do food service no consumo global requer um rearranjo das estruturas de distribuição e também maiores investimentos em tecnologia. Os alimentos têm de ser oferecidos em porções menores e adequados a um público exigente – disse Ferraz.
De acordo com o especialista, especificamente no caso das indústrias menores, o atendimento a segmentos do mercado pode ser um caminho para a sobrevivência e até para a expansão. Ele acredita que empresas menores têm mais facilidade para adotar um relacionamento mais próximo e aberto com seus fornecedores e são mais flexíveis em termos de produção. Mas, em geral, têm mais dificuldade na mobilização de recursos para investir em novos produtos, diferente das maiores, que adotam estratégias de marketing para a carne bovina.
Ainda na avaliação de Ferraz, dificilmente os participantes do mercado conseguirão se manter alheios às mudanças.
– Os participantes do mercado terão de se adaptar à nova realidade e desenvolver linhas de produtos de maior valor agregado – completou.