
O Brasil deve preencher mais de 98% da cota de exportação de carne bovina para a China no mês que vem. A projeção é da consultoria Safras & Mercado. Segundo o levantamento, os embarques brasileiros devem atingir 280 mil toneladas em junho. Desse total, metade — aproximadamente 140 mil toneladas — terá como destino os portos chineses.
Enquanto a indústria frigorífica corre contra o tempo a fim de evitar a sobretaxa de 55%, o mercado futuro do boi gordo iniciou a semana operando em alta. De acordo com a análise da Safras & Mercado, esse cenário iminente tende a injetar volatilidade e instabilidade nos preços no curto prazo.
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O Cronograma do esgotamento
A progressão das exportações para Pequim vem sendo observada desde o começo do ano. O pico ocorreu em maio, quando foram embarcadas 157,6 mil toneladas de carne bovina, um aumento de 14,25% na comparação com o mesmo mês de 2025.
Segundo a consultoria, o ritmo acelerado dos embarques desenha um cronograma de alertas críticos para as próximas semanas:
- Final de Junho (Alerta de 80%): O primeiro gatilho de atenção deve ser atingido nos próximos dias;
- Primeira Quinzena de Julho (Alerta de 90%): Período considerado crítico para o gerenciamento do volume restante;
- Final de Julho (Alerta de 100%): Esgotamento total e encerramento da cota de exportação.
O impacto no mercado do boi gordo
O ponto central de preocupação dos analistas e frigoríficos reside na ausência de praças alternativas. Atualmente, nenhum outro mercado internacional possui escala e apetite de consumo suficientes para substituir ou absorver o volume demandado pela China.
Na avaliação da consultoria, o canal diplomático não tem trazido alívio para o mercado. Até o momento, as frentes de negociação política e comercial não trouxeram qualquer sinalização de flexibilização ou ampliação dos limites por parte de Pequim.
Austrália: primeiro país a esgotar a cota
Na última terça-feira (16), o ministério do Comércio da China informou que a Austrália esgotou a cota anual, que é de 205 mil toneladas. Isso significa que qualquer carne bovina australiana que passar pela alfândega chinesa receberá uma tarifa punitiva de 55%.
O sistema de cota da China foi implementado em janeiro de 2026 com o objetivo de proteger os produtores domésticos, afetados pela queda dos preços internos devido ao excesso de oferta e desaceleração econômica. A salvaguarda está prevista para durar três anos.