
O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) informou que iniciou na China o projeto piloto da certificação Beef on Track (BoT), voltada ao monitoramento e à conformidade socioambiental da carne bovina brasileira. A iniciativa foi formalizada na quarta-feira (3), em Tianjin, com a assinatura de uma carta de interesse com a Tianjin Meat Association (TMA).
De acordo com o Imaflora, o BoT é um sistema de certificação para carne bovina livre de desmatamento, com verificação de critérios socioambientais e de cadeia de custódia. Na etapa inicial, o instituto avançou também nas negociações com a Chinese Quality Mark Certification Group (CQM), auditoria chinesa que poderá atuar na verificação dos produtos passíveis de certificação.
A TMA reúne empresas ligadas à cadeia da carne no país asiático. Além da associação, outras oito empresas chinesas dos segmentos de logística, comércio e distribuição aderiram à carta de interesse, com o objetivo de estruturar a comercialização de carne certificada no mercado local.
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Segundo dados do Beef Report 2026, da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a China responde por mais de 47% do volume embarcado de carne bovina brasileira. Nesse contexto, a entrada de um protocolo de certificação pode ampliar a diferenciação do produto em um mercado já relevante para frigoríficos, exportadores e pecuaristas.
O Imaflora informou ainda que a TMA já havia sinalizado intenção de adquirir até 50 mil toneladas de carne certificada ao longo de 2026. A entidade também discute com clientes locais a possibilidade de pagar um prêmio de até 10% para produtos enquadrados nos níveis mais avançados da certificação.
Atualmente, o Brasil dispõe de cerca de 2,1 milhões de toneladas de carne bovina que atendem aos requisitos do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne na Amazônia Legal, volume considerado apto a receber a certificação, com destaque para Mato Grosso e Pará.
Na avaliação apresentada pelo Imaflora, a remuneração adicional pode incentivar a regularização socioambiental e ampliar a oferta de carne certificada. O alcance comercial do projeto ainda dependerá da adesão de compradores, da auditoria da cadeia de custódia e da implementação prática do selo no mercado chinês.
Fonte: Estadão Conteúdo