GRANDE EXPECTATIVA

Japão realizará auditoria para carne bovina brasileira em março de 2026

O Brasil, apesar de ser o maior exportador da proteína no mundo, tenta acessar o mercado japonês há mais de 25 anos

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Foto: Agência Brasil/arquivo

A última semana do ano começa com uma notícia importante para o setor de proteína animal. O Japão deve realizar, em março de 2026, uma auditoria para avaliar o sistema sanitário da carne bovina brasileira. Segundo a Agência Safras, as informações foram confirmadas na última sexta-feira (26) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O secretário de Comércio e Relações Internacionais da pasta, Luis Rua, também confirmou a decisão do governo do Japão. Vale salientar que o Brasil, apesar de ser o maior exportador de carne bovina do mundo, tenta acessar o mercado japonês há mais de 25 anos. Nesse sentido, a expectativa para a conclusão das negociações é enorme.

Na avaliação de Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, o Japão é um mercado consumidor de grande potencial. Porém, há muita burocracia envolvida. Segundo ele, a auditoria prevista para o final do primeiro trimestre de 2026 deveria ter ocorrido em novembro.

“Após a visita do presidente Lula ao Japão no começo deste ano, havia uma expectativa de avanço mais rápido nas negociações”, diz. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, também reforçou essa expectativa algumas vezes. A última delas ocorreu em novembro, durante um evento em Brasília. Na ocasião, ele chegou a afirmar que o anúncio de abertura de mercado poderia ser feito ainda em 2025.

Ainda de acordo com o analista, o processo de habilitação dos frigoríficos deverá começar pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. “O Brasil precisa dar esse último passo para que, de fato, consiga exportar boas quantidades de carne no longo prazo, uma vez que esse processo não será imediato”, afirma Iglesias.

Em entrevista ao Canal Rural no início de dezembro, o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Gabriel Garcia Cid, comentou a possibilidade de abertura ao mercado japonês. “Se não fosse esse status de condição sanitária que o Brasil conseguiu, a gente não conseguiria avançar”, disse. O país recebeu, em maio deste ano, a certificação de zona livre de febre aftosa sem vacinação.

O foco em abrir novos mercados, entretanto, tem que continuar. Para o dirigente da ABCZ, que conclui sua gestão à frente da associação em 31 de dezembro, o futuro da exportação depende disso. “Vai ter muito trabalho bom pela frente”, concluiu.