MERCADO PECUÁRIO

Ociosidade dos frigoríficos deve pressionar cotações da arroba no curto prazo

Indústria testa níveis mais baixos de preço diante da proximidade do esgotamento da cota de 1,1 milhão de toneladas destinada à China

carne bovina frigoríficos
Foto: Freepik

O mercado físico do boi gordo voltou a trabalhar com um cenário de pressão nas cotações da arroba ao longo da semana, mesmo em um ambiente marcado pela dificuldade na composição das escalas de abate pelos frigoríficos.

O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias ressalta que a indústria segue testando níveis mais baixos de preço em meio à proximidade do esgotamento precoce da cota destinada pela China para as compras do Brasil neste ano, de 1,106 milhão de toneladas.

“Essa cota está para ser preenchida entre os meses de junho e julho, o que deve fazer com que o Brasil passe a contar com uma ausência parcial e temporária do principal mercado para a carne bovina brasileira”, avalia.

Para o especialista, diante de um cenário mais desafiador, a indústria tende a readequar a quantidade de animais abatidos diariamente, com aumento da capacidade ociosa, além de reduzir os turnos de abate, visando uma adequação à nova realidade de demanda.

Variação da arroba do boi na semana

Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 18 de junho :

  • São Paulo (Capital): R$ 350, baixa de 1,41% frente aos R$ 355 registrados no final da semana passada
  • Goiás (Goiânia): R$ 325, recuo de 4,41% ante os R$ 340 do final da semana anterior
  • Minas Gerais (Uberaba): R$ 325, retração de 1,52% frente aos R$ 330 praticados no fechamento da semana passada
  • Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 342, queda de 0,8% ante os R$ 345 registrados no encerramento da última semana
  • Mato Grosso (Cuiabá): R$ 350, decréscimo de 2,78% perante os R$ 360 praticados na semana anterior
  • Rondônia (Vilhena): R$ 335, declínio de 2,90% em relação aos R$ 345 registrados anteriormente

Mercado atacadista

Iglesias destaca que o mercado atacadista apresentou cotações estáveis durante a semana. Ainda assim, o analista afirma que há uma expectativa de recuperação dos preços nos próximos dias, em meio às vésperas de jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo.

“O entrave para avanços mais expressivos nas cotações está na menor competitividade da carne bovina frente a proteínas concorrentes, em especial a carne de frango”, conta.

  • Quarto do dianteiro: precificado a R$ 21,70 por quilo na semana
  • Cortes do traseiro bovino: cotados a R$ 27 por quilo

Exportações de carne bovina

As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 850,786 milhões em junho até o momento (9 dias úteis), com média diária de US$ 94,531 milhões, conforme a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A quantidade total exportada pelo país chegou a 129,685 mil toneladas, com média diária de 14,409 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.560,40.

Em relação a junho de 2025, houve alta de 44% no valor médio diário da exportação, ganho de 19,6% na quantidade média diária exportada e avanço de 20,4% no preço médio.