PREJUÍZOS

Produtor de leite está no limite da sobrevivência, diz presidente da Faesp

Tirso Meirelles critica a decisão do governo federal de não impor tarifas antidumping imediatas ao produto importado pelo Brasil

O Brasil possui o segundo maior rebanho leiteiro do mundo, atrás apenas da Índia. Ao longo de toda a cadeia, são empregadas mais de 4 milhões de pessoas, mas o principal ente do setor está no “limite da sobrevivência”. A afirmação é do presidente da Federação de Agricultura e Pecuária de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles.

Segundo ele, os números denotam que a atividade está à beira de um colapso. “Em 2025, aumentamos a produção em 7,2% graças à produtividade, mas tivemos o preço [do leite] derrubado em 23%, ao mesmo tempo que tivemos 26% de aumento de custo de produção com ração e energia”, enumera.

Por conta desses números, Meirelles critica o fato de o governo federal, através do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex), não ter aplicado de forma imediata tarifas antidumping ao produto importado pelo país que, de acordo com o setor, chega ao Brasil a preços desleais.

“O argumento utilizado foi a questão de salvaguarda da sociedade, mas isso não cabe porque grande parte das propriedades rurais do Brasil tem pecuária leiteira”, diz, citando que a oferta nacional daria conta de suprir a demanda interna.

Segundo ele, a pecuária leiteira brasileira está em processo de desestruturação, principalmente ao se considerar os investimentos feitos por toda a cadeia em busca de genética que gerou um rebanho mais produtivo.