Protesto de caminhoneiros gera prejuízos de mais de R$ 6 milhões por dia na produção de leite no RS

Há dois dias há dificuldade para descarregar o produto nas indústriasNo Rio Grande do Sul, o protesto dos caminhoneiros - que estão parando o transporte de cargas em vários estados do país - têm causado prejuízo para produtores e a indústria do leite. Há dois dias, grande parte da produção não tem chegado às indústrias, o que pode gerar prejuízo diário de mais de R$ 6,4 milhões se as cargas não forem liberadas.

Na região Noroeste do Estado, produtores de Ibirubá e Ijuí estão tendo que jogar o leite fora para poder ocupar os reservatórios das propriedades.

De acordo com levantamento feito nesta terça-feira pela Associação Gaúcha de Laticinistas e Laticínios, estão sendo ser perdidos 8 milhões de litros de leite por dia no Estado.

– É uma situação muito grave, que atinge todas as regiões – avalia o presidente da associação, Ernesto Krug.

Segundo Krug, há dois dias a maioria do leite recolhido das propriedades esgotou o limite de abastecimento dos postos. Com esse limite estourado, nesta terça-feira, a maioria dos produtores não teve o leite retirado da propriedade. Em Ijuí, muitos pequenos produtores estão sem escoar a produção desde domingo.

Na propriedade de Cristiano Didone, 30 anos, mais de 1,8 mil litros de leite foram jogados fora na segunda-feira. Hoje, se o caminhão não chegar para recolher o leite, mais 2 mil litros serão desperdiçados.

– Sofremos com a seca e estamos batalhando para produzir. É uma situação muito chata – resume o produtor que, em dois dias, acumula perdas de R$ 1,5 mil. 

Apesar da situação crítica, algumas poucas indústrias estão conseguindo negociar com os protestantes e liberar a carga nas rodovias. Os tanques leiteiros da CCGL, por exemplo, estão conseguindo transportar o leite das propriedades para ser processado. Apesar de contabilizar atrasos na entrega do leite, a cooperativa é uma das poucas que ainda não teve prejuízos.

Atualização: após reunião com o ministro dos Transportes, Paulo Passos, o Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC) comprometeu-se em encerrar por completo e de imediato a paralisação nacional iniciada há sete dias.