Economia

Futuro ministro de Lula vai barrar privatização do Porto de Santos

Anunciado para o Ministério de Portos e Aeroportos, Márcio França diz que vai manter a autoridade portuária como empresa estatal

O governador eleito de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), vai propor uma conversa com o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e o futuro ministro de Porto e Aeroportos, Márcio França (PSB), para tentar convencer a nova gestão federal de que é preciso avançar com o leilão do Porto de Santos, maior complexo portuário da América Latina.

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Na quinta-feira (22), após ter sido nomeado para o primeiro escalão do futuro governo Lula, França afirmou que o Porto de Santos, em São Paulo, não seria mais concedido à iniciativa privada. Ele disse que a decisão está tomada e que o governo vai manter a atual estrutura da autoridade portuária.

O plano de concessão, que estava previsto para os próximos meses, era aguardado como a segunda maior concessão do governo Bolsonaro, depois da oferta de ações da Eletrobras. A minuta do edital vem sendo analisada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Situação do Porto de Santos

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Márcio França: futuro ministro de Portos e Aeroportos | Foto: divulgação/redes sociais

O Estadão apurou que essa deve ser uma das primeiras agendas de Tarcísio no início de seu mandato como governador, para tentar dar andamento à privatização do Porto de Santos, rota de entrada e saída de 29% de todas as transações comerciais do Brasil.

Questionado pelo Estadão, França foi taxativo. “Não será feito o leilão. A autoridade portuária vai continuar estatal. O que faremos são concessões de áreas dentro do porto, de terminais privados”, afirmou o futuro ministro de Lula.

“Onde já foi feito [o processo de privatização], a gente respeita. Agora, há situações que não foram homologadas e que vão passar pelo crivo dos técnicos”, afirmou França. Segundo ele, foi solicitado um adiamento do processo para que o presidente eleita possa “opinar” a respeito.

Tarcísio deseja manter processo de privatização

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Tarcísio Gomes de Freitas: governador eleito de São Paulo | Foto: Alan Santos/PR

Dentro do governo paulista, a aposta é que, com diálogo, seja possível reverter a posição de Márcio França. Segundo interlocutores, Tarcísio, que já foi ministro da Infraestrutura, acredita que, ao se aprofundar no assunto, o governo petista será convencido de que a oferta da privatização do Porto de Santos é o caminho para garantir os investimentos necessários para a expansão de uma estrutura já limitada.

Tarcísio tem sinalizado que vai buscar uma relação de parceria com o governo Lula. Procurado, ele não quis comentar. O tema é de tal relevância para o novo governo paulista, que, segundo o Estadão, o governador eleito de São Paulo já acionou Gilberto Kassab, que ocupará o cargo de secretário de Governo, para falar com o futuro governo federal.

O que está em jogo é um leilão que previa investimentos de R$ 18,5 bilhões em melhorias, ampliação e manutenção do Porto de Santos. Outros R$ 2,9 bilhões seriam reservados para a construção de um túnel submerso para ligar Santos a Guarujá.

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