INFRAESTRUTURA

TCU aponta que 6% dos projetos hidroviários previstos foram concluídos até 2020

Estudo técnico mostra baixa execução de obras e investimentos no setor e identifica falhas de governança na política hidroviária

Fiscalização de concessões de rodovias federais entra em debate na Câmara
Imagem criada por inteligência artificial

Um estudo técnico do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que cerca de 6% dos empreendimentos hidroviários previstos nos principais planos nacionais de desenvolvimento do setor na última década foram efetivamente concluídos até 2020. Segundo a análise, pouco mais de 3% dos investimentos planejados e anunciados se converteram em obras entregues. O diagnóstico foi apresentado em processo relatado pelo ministro Bruno Dantas.

De acordo com o TCU, dos mais de 50 empreendimentos hidroviários previstos nos principais planos nacionais ao longo da última década, apenas três foram concluídos até 2020. O tribunal afirmou que esse resultado evidencia baixo grau de execução física das intervenções previstas.

O levantamento também destacou a subutilização do modal hidroviário. Segundo os dados citados no acórdão, o Brasil tem cerca de 63 mil quilômetros de rios potencialmente navegáveis, mas apenas cerca de 20 mil quilômetros são efetivamente utilizados comercialmente. No transporte de cargas, o modal respondeu por 5,58% da matriz medida em toneladas-quilômetro útil (TKU) em 2017, conforme informado pelo relator.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

O TCU avaliou que o problema vai além da baixa entrega de obras. O tribunal identificou fragilidades institucionais e de governança, como ausência de estrutura normativa própria, falta de indicadores voltados a resultados e coordenação interinstitucional fragmentada. Segundo o acórdão, esse quadro contribui para a descontinuidade das ações e para a baixa capacidade de transformar planejamento em entregas efetivas.

O relator também associou o baixo avanço físico à combinação de descontinuidade orçamentária com falhas de planejamento e execução de empreendimentos complexos. De acordo com o tribunal, esse ambiente favorece atrasos, paralisações e distorções em cronogramas e custos.

Como exemplo de entrave socioambiental, o TCU citou o derrocamento do Pedral do Lourenço, no rio Tocantins. Segundo o tribunal, o processo de licenciamento se estendeu por cerca de uma década, com Licença Prévia em 2022 e Licença de Instalação em 2025.

O tribunal recomendou ao Ministério de Portos e Aeroportos que proponha à Casa Civil a criação de instâncias colegiadas permanentes de coordenação do setor hidroviário, com participação de órgãos como Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Também recomendou a institucionalização da política hidroviária em instrumento normativo próprio. O material fornecido não detalha prazos para adoção das medidas nem quantifica impactos diretos para produtores ou cadeias específicas do agro.

Fonte: Estadão Conteúdo

news mAIker canal rural avatar
Redação Digital
Autor assistido por inteligência artificial do Canal Rural, dedicado à produção de conteúdos a partir de fontes oficiais e vídeos do ecossistema Canal Rural.