
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou oficialmente o retorno do fenômeno El Niño. Segundo o órgão norte-americano, há 63% de probabilidade de que o fenômeno alcance intensidade muito forte nos próximos meses, cenário que pode provocar impactos significativos sobre o clima no Brasil e em diversas regiões do planeta.
De acordo com o meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, a confirmação indica que a atmosfera já está respondendo ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial e que os efeitos devem começar a ser sentidos nas próximas semanas.
“Está batido o martelo. O fenômeno está de volta e os impactos já devem aparecer nos próximos meses em todo o Brasil”, afirmou.
Chance de evento muito forte aumenta
O novo relatório da NOAA elevou de 37% para 63% a probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte até o fim de 2026. Nessa classificação, as anomalias de temperatura da superfície do mar ultrapassam 2°C acima da média.
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Segundo Müller, os modelos climáticos indicam que o aquecimento pode alcançar patamares próximos de 2,5°C, o que colocaria o fenômeno entre os mais intensos já registrados.
“Existe até a possibilidade de ser mais forte do que o evento de 2015 e 2016”, destacou o meteorologista.
Outro fator que reforça a previsão é o grande volume de água quente ainda presente abaixo da superfície do Pacífico Equatorial. Segundo ele, essas águas devem emergir gradualmente nos próximos meses, intensificando ainda mais o fenômeno.
Quais os impactos para o Brasil?
Embora um El Niño forte não signifique eventos extremos em todas as regiões, os padrões climáticos característicos já começam a preocupar especialistas.
A principal tendência é de aumento das chuvas na Região Sul e redução das precipitações no Norte e em parte do Nordeste. Além disso, ondas de calor mais intensas e frequentes podem ocorrer em diversas áreas do país.
Durante o inverno, o fenômeno também tende a reduzir a ocorrência de geadas no Centro-Sul.
Para a safra 2026/27, Arthur Müller alerta para possíveis atrasos na regularização das chuvas no Centro-Oeste e Sudeste. Segundo ele, o início mais tardio das precipitações pode comprometer o calendário de plantio.
“A chuva deve se firmar apenas entre o fim de outubro e o começo de novembro, com ondas de calor intensas durante setembro, o que pode prejudicar a semeadura da próxima safra”, explicou.
Sul já sente os primeiros efeitos
Segundo o meteorologista, os sinais do fenômeno já começam a aparecer na Região Sul. A formação de sucessivos sistemas de baixa pressão e ciclones extratropicais deve manter os volumes de chuva elevados nas próximas semanas.
A previsão indica a formação de até cinco ciclones extratropicais em um intervalo de aproximadamente 15 dias, favorecendo temporais e acumulados expressivos de precipitação.
No Paraná, onde os solos já apresentam elevados níveis de umidade, os acumulados podem superar 200 milímetros e, em algumas áreas, se aproximar de 300 milímetros até o fim de junho.
Esse cenário preocupa produtores rurais, especialmente aqueles que estão em fase de colheita do milho segunda safra e do feijão.
“Essas chuvas podem inviabilizar os trabalhos de campo em várias regiões do Paraná”, alertou Müller.
Risco de incêndios em 2027 preocupa
Além dos impactos imediatos, a NOAA também trabalha com a possibilidade de o fenômeno se estender para 2027.
Caso isso ocorra, o risco de estiagens severas e de incêndios florestais aumenta significativamente, principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste do país.
A duração do fenômeno ainda será monitorada ao longo dos próximos meses, mas a confirmação do El Niño reforça o alerta para produtores rurais e setores dependentes das condições climáticas, que já começam a se preparar para um ciclo marcado por extremos meteorológicos.