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El Niño muda o inverno no Brasil; veja como ficam chuva e temperatura no campo

Meteorologista do Canal Rural prevê calor acima da média a partir da segunda metade da estação, menos chuva no Norte e Nordeste e mais precipitação no Sul

El Niño muda o inverno no Brasil; veja como ficam chuva e temperatura no campo

O inverno começa oficialmente às 5h24 deste domingo (21) e deve apresentar um comportamento diferente do habitual em grande parte do Brasil. Segundo o meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, a rápida intensificação do fenômeno El Niño, oficializada na primeira semana de junho, será o principal fator responsável por alterar o padrão de temperatura e chuva durante a estação, que se estende até 22 de setembro.

De acordo com Müller, embora o início do inverno seja marcado pela entrada de uma massa de ar polar mais intensa, o frio não deve predominar ao longo da estação.

“O começo do inverno terá uma incursão mais forte de ar frio, mas essa não será a principal característica da estação. A tendência é de elevação das temperaturas ao longo de agosto e setembro, principalmente no Centro-Sul do país”, diz.

Julho mais frio; agosto e setembro mais quentes

A previsão indica que julho ainda terá características típicas do inverno, com episódios de frio mais intenso. No entanto, a partir da segunda quinzena do mês, o El Niño deve favorecer um aumento gradual das temperaturas.

Nas principais regiões produtoras do Centro-Oeste, Sudeste e Sul, o cenário será de calor acima da média durante o restante da estação.

Em Naviraí, no sul de Mato Grosso do Sul, por exemplo, a próxima incursão de ar polar deve provocar temperaturas mínimas abaixo de 5°C por até cinco dias consecutivos, com possibilidade de geadas fracas.

Segundo o meteorologista, os pecuaristas precisam redobrar a atenção durante esses episódios.

“É importante recolher os animais mais vulneráveis, principalmente os que permanecem a céu aberto, pois há risco de hipotermia durante os dias mais frios”, alerta.

Menos chuvas no Norte e Nordeste

Além das temperaturas mais elevadas, o fenômeno deve alterar o regime de chuvas no país.

A tendência é de redução das precipitações em boa parte da Região Norte e também no leste do Nordeste, onde o El Niño deve enfraquecer a atuação das ondas de leste, responsáveis por boa parte das chuvas nesta época do ano.

Segundo Arthur Müller, essa condição favorece o aumento do risco de queimadas e incêndios florestais, especialmente em Mato Grosso, na região do Matopiba e em outras áreas do Centro-Oeste.

“A partir da segunda quinzena de julho, a tendência é de calor e tempo seco no Brasil Central, elevando o potencial para focos de incêndio”, afirma.

Sul deve registrar mais chuva

Na contramão do restante do país, a Região Sul deve receber volumes de chuva acima da média durante o inverno.

A previsão indica acumulados que podem superar 200 milímetros em 30 dias em algumas áreas, principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

Apesar do aumento das precipitações, Arthur Müller avalia que, neste momento, não há indicativos de enchentes ou grandes prejuízos aos trabalhos no campo.

Segundo ele, parte das chuvas previstas para o início de julho no Centro-Oeste e Sudeste não está relacionada ao El Niño, mas a oscilações naturais da atmosfera que costumam atuar por períodos de uma a duas semanas.

Impactos para o campo

Na avaliação do meteorologista, o inverno de 2026 exigirá atenção dos produtores rurais por combinar eventos de frio intenso no início da estação com calor e tempo seco nos meses seguintes.

Enquanto pecuaristas deverão monitorar os episódios de geada e as baixas temperaturas nas primeiras semanas do inverno, agricultores e produtores do Brasil Central precisarão acompanhar o avanço da estiagem e o aumento do risco de incêndios provocado pela influência do El Niño.