
A agência de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos, a National Oceanic and Atmospheric Administration ( NOAA), elevou a probabilidade de retorno do El Niño nos próximos meses e aumentou o alerta para possíveis impactos no agronegócio brasileiro.
Segundo o mais recente boletim divulgado pela agência, a chance de formação do fenômeno climático entre os meses de maio e junho subiu para 82%. A expectativa é de que o El Niño permaneça ativo até fevereiro de 2027.
De acordo com o meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial já indica a configuração do fenômeno, faltando apenas o acoplamento completo entre oceano e atmosfera para a confirmação oficial.
Segundo ele, o rápido aquecimento do oceano, somado às temperaturas elevadas no Pacífico Norte, favorece uma evolução mais intensa e acelerada do El Niño neste ano.
Chance de “Super El Niño” aumenta
Arthur Müller destacou ainda que a possibilidade de o fenômeno atingir intensidade extrema aumentou nas últimas semanas.
Em abril, a chance de formação de um “Super El Niño” era de 25%. Agora, segundo o meteorologista, essa probabilidade subiu para 37%, principalmente entre a primavera e o verão no Hemisfério Sul.
Caso o cenário se confirme, os impactos devem ser sentidos em diferentes regiões produtoras do Brasil.
Sul pode enfrentar temporais e excesso de chuva
No Sul do país, a previsão aponta aumento das chuvas entre o fim do inverno e o início da primavera, elevando o risco de temporais, granizo, microexplosões e até tornados.
Arthur Müller alerta que produtores da região devem, dentro do possível, antecipar o plantio das culturas de inverno para reduzir riscos relacionados ao excesso de chuva e aos eventos severos.
Apesar do alerta, o meteorologista afirmou que ainda é cedo para prever enchentes na região Sul, embora o ambiente climático seja favorável para episódios de chuva volumosa.
Sudeste e Centro-Oeste podem ter atraso nas chuvas
Já no Sudeste e Centro-Oeste, o principal impacto esperado é o atraso do retorno das chuvas da primavera, cenário semelhante ao registrado em 2023.
Segundo Arthur Müller, produtores devem aguardar uma consolidação mais firme das precipitações antes do plantio da nova safra, especialmente no fim de outubro e início de novembro, período em que as ondas de calor tendem a ganhar força.
O meteorologista também prevê aumento do risco de incêndios florestais durante o inverno no Brasil Central e no Sudeste, devido às temperaturas acima da média e à redução das chuvas.
Matopiba e Norte podem ter estiagem severa
Outro ponto de atenção envolve o Matopiba e parte da Região Norte, onde o fenômeno pode reduzir significativamente o volume de chuva.
Segundo Arthur Müller, há possibilidade de uma nova estiagem severa, semelhante à observada entre 2023 e 2024, com impactos sobre rios e reservatórios da região amazônica.