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China comprará menos produtos agrícolas do Brasil em 2020, diz economista

A gigante asiática anunciou uma lista com 700 itens dos Estados Unidos que podem ser isentos de tarifas temporariamente, entre eles soja e carnes

Após anunciar redução de impostos sobre US$ 75 bilhões em produtos dos Estados Unidos, a China anunciou nesta terça-feira, 18, uma lista de 700 itens americanos que podem ficar isentos de tarifas temporariamente, entre eles soja e carnes bovina e suína.

De acordo com o economista e cientista político Carlo Barbieri, o anúncio é fiel aos termos da fase 1 do acordo comercial entre as duas potências. “O que entrou de novo foram os produtos médicos, por conta do coronavírus que está se espalhando pelo país”, comenta.

O especialista destaca que a China precisa importar. “Neste momento, é interessante para eles jogarem os EUA no mercado para tentar economizar nas compras”, diz.

Com isso, o economista afirma que a gigante asiática deve diminuir as importações do Brasil e de outros países. “Em produtos agrícolas, acho que serão US$ 40 bilhões [dos EUA com isenção]. Cabe ao Brasil tentar negociar para que essa perda seja a menor possível”.

Barbieri não acredita que a demanda chinesa vá arrefecer de forma significativa. “A população é mais bem paga e tem mais acesso a refeições. Quando se tem mais recursos, investe-se na primeira necessidade, que é a alimentação”, diz.

Contraponto

O ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura Benedito Rosa lembra que a China é uma grande importadora de alimentos, demandando 1,4 milhão de toneladas de carne bovina por ano e metade da produção global de carne suína.

“O impacto para as carnes do Brasil não será tão grande ou intenso, porque o país não permitirá que haja uma comoção social, ao estilo de Hong Kong, por desabastecimento”, afirma.