
O paraquat é um dos herbicidas mais usados no mundo para o controle de uma ampla variedade de plantas daninhas em mais de 100 lavouras, inclusive cereais, sementes oleaginosas, frutas e legumes, que crescem em todos os climas.
O principal fabricante do paraquat é a Syngenta que desenvolveu esse ingrediente ativo (IA) no início da década de 1960. Em 2008, oito herbicidas começaram a ser revisados para o uso no campo. A partir dessa reavaliação, o uso de paraquat deve ser proibido no Brasil. Segundo relatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o uso dessa substância causa Mal de Parkinson.
O pesquisador da Embrapa Soja, Fernando Adegas, diz que a possível proibição do agroquímico preocupa o setor. Segundo ele, o uso do produto é muito importante para produção de grãos, principalmente.
– O paraquat é muito utilizado no sistema de manejo de plantio direto. Ele controla as plantas daninhas antes da semeadura. É muito utilizado em plantas que já se tornaram resistentes ao glifosato. Se realmente for banido o uso, teremos que fazer novos estudos para ver quais as possibilidades para substituí-lo. Provavelmente não seria apenas um produto, mas sim, um conjunto de herbicidas – explica.
O uso de mais de um herbicida para substituir o paraquat deve aumentar o custo para os produtores.
– Provavelmente o uso de mais solução tornaria mais caro o custo de produção, além de tornar mais difícil ajustar o controle de herbicidas – diz.
O relator da reavaliação toxicológica do produto, Renato Porto, afirma que o produtopossui alta toxicidade aguda oral e importante toxicidade dérmica e a exposição ao agroquímico leva ao aparecimento de fibrose pulmonar irreversível e fatal. O parecer também alerta para o desenvolvimento de mutações de genes e cromossomos.
– As evidências sobre o desencadeamento da doença de Parkinson pelo paraquate são bastante consistentes e revelam um risco inaceitável ao ser humano. O uso do paraquate pode estar colocando em risco a vida dos trabalhadores que o utilizam. É notório que há respaldo legal para a proibição do registro de produtos à base de paraquate no Brasil e, portanto, o uso desse ingrediente ativo deve ser descontinuado em nosso país. Sugiro o cancelamento dos registros dos produtos à base do ingrediente ativo paraquate – conclui Porto.
Consulta pública
A análise técnica foi feita pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e está aberta para consulta pública até 16 de novembro. Durante esse período, a sociedade pode enviar sugestões e informações à Anvisa, através de um questionário online, para tentar mudar o relatório. Só depois desse processo, o órgão vai decidir sobre a proibição ou não do defensivo.