
O dólar fechou em alta pelo quarto dia seguido, com os investidores continuando a repercutir a notícia de que o Brasil registrar um déficit fiscal de R$ 30,5 bilhões em 2016 e temendo as consequências que pode ter para o rating do país, nota que mede a capacidade do governo de honrar seus compromissos.
A moeda norte-americana fechou esta quarta, dia 2, com avanço de 1,94%, cotada a R$ 3,7591 para compra e R$ 3,7598 para venda. É o maior nível desde 12 de dezembro de 2002.
Segundo o superintendente de tesouraria do banco Daycoval, Paulo Augusto Saba, o movimento dos mercados é hoje “essencialmente interno”, com a percepção de falta de comando do governo do lado econômico e discrepâncias em relação ao cumprimento de metas orçamentárias e fiscais.
– Até que tenhamos uma definição do cenário, o mercado seguirá assim – disse.
Na segunda, dia 31, o Executivo entregou ao Congresso a proposta de Lei Orçamentária Anual para 2016. A expectativa é de que o país apresente um saldo primário negativo de R$ 30,5 bilhões, o equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). O texto estima ainda que a economia crescerá 0,2% no próximo ano e que a inflação fechará em 5,4%.
Em audiência na Câmara dos Deputados ontem, dia 1, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que o Brasil verá “o dólar disparar” se não houver organização nas contas públicas e na política econômica.
Este cenário, na interpretação do mercado financeiro, pode levar as agências a rebaixarem o rating – nota que sinaliza a capacidade de um país honrar seus compromissos financeiros – do Brasil, forçando o governo a pagar mais juros para contrair empréstimos.