Dólar atinge maior nível desde março de 2003

Queda da bolsa de Xangai e deterioração fiscal do Brasil provocam desvalorização do real

Fonte: Agência Brasil/Divulgação

O dólar comercial iniciou a segunda, dia 27, na maior cotação desde março de 2003, diante da forte queda da bolsa de Xangai e a situação fiscal do Brasil. A moeda norte-americana subia 0,67%, cotada a R$ 3,3690 para compra e R$ 3,3696 para venda.

Nesta madrugada, a bolsa de Xangai fechou com queda de 8,48%, seu pior desempenho desde fevereiro de 2007, diante de preocupações de que as autoridades chinesas vão retirar as ajudas que ofereceram ao mercado após o recuo de 32% em junho.

A situação da China está levando a uma valorização do dólar em todo o mundo. Ela também esta provocando uma queda nas cotações do petróleo e das commodities minerais.

No Brasil, a decisão do governo federal de rever as metas fiscais para este ano colaboram para valorizar ainda mais o dólar comercial em relação ao real. Na semana passada, a equipe econômica anunciou que reduziu a meta do superávit primário – dinheiro economizado para pagamento dos juros da dívida pública – de 2015 para 0,15% do Produto Interno Bruto (PIB), dos 1,13% anunciados no começo do ano.

Para o estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno, a perspectiva é de que a trajetória do dólar continue sendo de alta, considerando que não há nenhuma notícia positiva do lado interno para aliviar a situação.

– Não há perspectiva de alívio, mas é preciso notar que a desvalorização está muito pronunciada, o que pode levar [os agentes de mercado] a realização de lucros – disse ele.

O estrategista destaca ainda que a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) nesta quarta, dia 29, deve colaborar para a valorização do dólar, diante da expectativa de que a taxa básica de juros (Selic) subirá 0,50 ponto percentual (pp), para 14,25% ao ano (aa).