Dólar sobe 1,13% e fecha a R$ 3,19

Declarações de Eduardo Cunha sobre fazer oposição ao governo mexeu com confiança de investidores

O dólar fechou o pregão desta sexta, dia 17, em alta de 1,13% a R$ 3,19, impulsionado pelas declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, de que passará a fazer oposição ao governo e por dados sobre a economia dos Estados Unidos, que elevaram as especulações sobre a elevação da taxa de juros do país ainda este ano.

Os investidores demonstraram apreensão quanto à decisão de Cunha de romper com o governo da presidente Dilma Rousseff. Ele acusa membros do Planalto, em especial o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de forçarem testemunhas da Operação Lava-Jato a prestarem falso testemunho contra ele. Ontem, dia 16, o presidente da Câmara foi acusado pelo lobista Júlio Camargo de ter recebido US$ 5 milhões em propina.

O rompimento preocupa o mercado, principalmente em relação ao ajuste fiscal. Há o temor que Eduardo Cunha prejudicará os esforços do governo para recuperar as contas públicas.

– De fato aumenta muito, aumentará muito, a dificuldade em passar qualquer coisa pelo Congresso. Não é que será impossível, mas a negociação será cara – disse o analista de risco político e diretor da consultoria Eurasia Group, João de Castro Neves, em entrevista à primeira edição do programa Mercado e Companhia.

Ele afirmou também que a situação aumentou o risco de um pedido de impeachment da presidente Dilma ser analisado pelo Congresso. Para Neves, o risco passou de 20% para 30%.

Outro fator que impulsionou o dólar nos negócios de hoje foram os dados positivos sobre a economia dos Estados Unidos, no caso, o de construção de imóveis, que subiu no maior ritmo em 28 anos. A situação levou os investidores a se posicionarem para o aumento da taxa de juros, com a compra de títulos da dívida norte-americana.

Diante destes desenvolvimentos, o economista do Banco Votorantim Roberto Padovani acredita que o cenário de curto prazo para o dólar é de valorização.  

– A gente tem uma combinação de um cenário externo complicado, falando de alta de juros dos Estados Unidos em setembro, associado a muita dúvida interna. A combinação desses dois fatores está levando o dólar para cima – afirmou.