
O dólar comercial encerrou em alta de 0,31%, cotado a R$ 3,4650 para venda, ainda influenciado pelo cenário de tensão e indecisão política. A aversão ao risco continua elevada no cenário interno.
– Internamente, o clima político segue bastante pesado. Com a volta do recesso parlamentar, há um temor quanto à pauta do Congresso daqui para frente. Há um risco em relação às próximas votações, das medidas que restam do ajuste fiscal – diz Vladimir Caramaschi, estrategista-chefe do Crédit Agricole.
Já Bernard Gonin, analista econômico da Bozano Investimentos, destaca que os riscos internos fazem com que o real tenha um comportamento diferente de outras moedas de países emergentes.
– No início do dia, as moedas emergentes ganhavam ante o dólar por causa da alta das commodities, enquanto aqui o movimento era contrário em função dos riscos políticos.
Gonin ainda ressalta que, durante a tarde, as moedas emergentes reverteram a tendência e também passaram a perder ante o dólar, em função de declarações de membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) sobre uma possível alta de juros nos Estados Unidos em setembro, mas que o real não acelerou o ritmo de desvalorização.
Perspectiva
Para amanhã, Caramaschi destaca que a agenda econômica dos Estados Unidos, com diversos indicadores importantes, pode influenciar o andamento das negociações.
– A agenda lá fora é bem carregada. Temos os dados da ADP sobre criação de vagas no setor privado, que é uma prévia do payroll, na sexta-feira. Também teremos o ISM e o PMI do setor de serviços, que são bastante importantes – argumenta Caramaschi.
Já Gonin afirma que a parte política deverá continuar no radar do investidor, e que, no exterior, o desempenho da bolsa da China e o impacto no preço das commodities devem continuar influenciando o mercado de câmbio e juros nos países emergentes.