Tempo seco prejudica qualidade da safra 2016 de café

Embora clima ajude na colheita, formação de floradas da próxima temporada está sob risco 

Fonte: André Luíz A. Garcia/Fundação Procafé

O tempo seco registrado nas últimas semanas está facilitando a colheita do café da safra 2015, mas também está prejudicando a formação das floradas para a próxima temporada, colocando em risco o rendimento dos produtores.

A meteorologia mostra que a parte central do país está sob o domínio de uma massa de ar seco, criada por um bloqueio atmosférico sobre a região.

Segundo a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), a maior cooperativa do setor do mundo, o clima mais seco teve “fundamental importância” para que o trabalho de retirada dos grãos avançasse para 53,43% da área total até 1 de agosto.

No entanto, a previsão para as próximas semanas está preocupando os produtores, por conta das consequências que ela pode ter na produção de 2016.

– Infelizmente tem chovido muito pouco na nossa região. No sul de Minas [Gerais], a situação climática, a falta de chuva, está sendo fator limitante para a nossa produtividade – afirmou o pesquisador da Fundação Procafé Alysson Fagundes, em entrevista à primeira edição do “Mercado e Companhia”.

Ele relembrou que a produção de 2015 sofreu com o clima seco no começo do ano, assim como a safra de 2014, que enfrentou um “veranico” no primeiro trimestre.

A preocupação com uma possível quebra na produção da safra 2015 foi dividida pelo vice-presidente do Sindicato Rural de Altinópolis, em São Paulo, Rafael de Palma Figueiredo. Ele disse que a falta de chuva no começo do ano levou a uma perda de 15% a 30% da produção, o que deve levar a colheita na região a totalizar 250 mil sacas, uma queda de 50 mil sacas ante a safra de 2014.

– Nós podemos notar que a qualidade foi afetada mais no tamanho dos grãos e no peso também, principalmente nas propriedades com terra mais arenosa – disse.

Para a safra 2016, ambos esperam que as chuvas venham o mais cedo possível e em uma quantidade suficiente para ajudar na florada das plantas. Caso contrário, os cafeicultores devem passar novamente por dificuldades.

– Se nós tivermos chuvas de 5 a 15 milímetros, é melhor que não venha, porque chuvas dessa magnitude aconteceram no ano passado. Dava uma chuvinha de 5 a 10 milímetros, aí o botão floral crescia, mas não tinha força para abrir, e aí vinha o sol quente, queimava aquele botão e o produtor perdia sua produtividade. Seca, o café aguenta, mas o que o café não aguenta é pouca água – afirmou o pesquisador da Fundação Procafé.

Segundo a Somar Meteorologia, somente a partir do dia 20 de agosto haverá mudança mais significativa no tempo. Instabilidades devem conseguir avançar pelos três estados da região Sul e atingir trechos de Mato Grosso do Sul e São Paulo. Os volumes não serão muito elevados, mas aumentarão os índices de umidade relativa do ar em parte destes dois últimos estados.