Dilma inaugura Terminal de Grãos no Maranhão

Tegram é aguardado por produtores do Norte, por representar alternativa para o escoamento da produção local

Fonte: Porto do Itaqui/Divulgação

A presidente Dilma Rousseff participou hoje, dia 10, da cerimônia de inauguração do Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram), instalado no Porto de Itaqui, em São Luís, Maranhão. 

Durante discurso na cerimônia a presidente ressaltou a importância do porto, que cumpre um papel de descongestionar os portos de Santos e Paranaguá. Ela também chamou a atenção para a importância da região de Matopiba ( Maranhão, Tocantins, Piaui e Bahia) 

– O norte e o nordeste constituem uma grande fronteira de crescimento e eu não poderia encerrar sem falar do Matopiba que quando olhamos no mapa parece que podemos nos dar ao luxo de termos uma fronteira agrícola. O Brasil tem nessa área uma das maiores oportunidades de crescer– afirmou a presidente. 

O terminal iniciou a operação em fase de testes no começo de março deste ano e é gerido por um consórcio formado pelas empresas NovaAgri, Glencore, CGG Trading e Amaggi/Louis Dreyfus.

De acordo com o presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), Ted Lago, a localização do Tegram é estratégica. 

– Itaqui é um porto de influência de sete estados, o chamado corredor Centro-Norte, uma grande fronteira agrícola que se desenvolve. O Tegram reequilibra a questão entre onde são produzidos os grãos e para onde são escoados. Mais da metade da produção dos grãos do Brasil já é produzida na região Centro-Norte e quase 80% dessa produção ainda são escoados pelo portos do Sul e Sudeste – disse. 

A estrutura era bastante aguardada pelo mercado de agronegócios em geral, por representar uma nova alternativa para o escoamento da safra de grãos, especialmente para os produtores da região do Matopiba, além do nordeste de Mato Grosso, que serão diretamente beneficiados.

– A questão da soja é que só tínhamos a opção de levar por ferrovia, não tínhamos como carregar nos caminhões. Agora, com o Tegram, vai melhorar muito o valor de frete, porque poderemos levar a soja e o milho por caminhão – afirmou o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Maranhão (Aprosoja-MA), Isaias Soldatelli, ao “Mercado e Companhia” em março, quando começou a fase de testes do Tegram.

À época, o presidente da Aprosoja do Maranhão estimou que o novo terminal barateará o frete em 30%.

Entre março e julho, primeiros meses de operação, o terminal embarcou 1,4 milhão de toneladas de soja em mais de 20 navios, volume que representa mais da metade do previsto pelo consórcio para o primeiro ano de operação.

Histórico

O Tegram recebeu investimento aproximado de R$ 600 milhões e é composto por quatro armazéns, sendo cada um com capacidade de armazenamento estática de 125 mil toneladas. O primeiro armazém, que começou a fase de testes operacionais pertence à NovaAgri. Porém, todas as empresas poderão operar neste silo, até que os quatro armazéns sejam concluídos.

O terminal recebe de 500 a 530 caminhões por dia, um movimento que deverá aumentar, em curto prazo, para até 800 veículos ao dia para descarregamento de cerca de 32 mil toneladas de grãos em oito tombadores de caminhões (dois em cada armazém).

Para minimizar o impacto do trânsito desses veículos, o Tegram adotará um sistema de recebimento de mercadorias que contará com pátio de triagem e agendamento prévio. O sistema de recebimento ferroviário terá a capacidade para descarregar 3 mil toneladas por hora, com oito vagões simultaneamente em duas moegas ferroviárias. O ramal ferroviário terá extensão para receber um comboio com 80 vagões, com aproximadamente 7 mil toneladas por comboio.

Do ponto de vista de expedição, o Tegram contará com carregador de navios que opera a uma taxa de 2,5 mil toneladas por hora, o que permite um rápido carregamento, evitando assim as custosas filas de atracação.

Quando o berço estiver próximo da movimentação de 5 milhões de toneladas anuais, entrará em operação a segunda fase do Tegram. Nesse momento, o embarque de mercadorias passará a ser realizado igualmente por um segundo berço, também com preferência de atracação. A expectativa de movimentação da operação somada destes dois berços ultrapassam 10 milhões de toneladas anuais.