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Polícia desmonta quadrilha que aplicava golpes em venda de tratores

Criminosos agiam por meio do WhatsApp se passando por possíveis compradores de máquinas, porém, na hora do pagamento, valor não era depositado

Na última semana, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul desarticulou uma organização criminosa que se especializou em golpes na venda de tratores.

Os crimes foram cometidos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

As investigações se iniciaram em 12 de abril de 2021, quando uma vítima da cidade de Sertão Santana (RS) registrou ocorrência relatando que havia caído em um golpe.

Segundo a vítima, ela pôs seu trator à venda em um site de veículos usados, e recebeu mensagens via WhatsApp de uma pessoa interessada em comprar o maquinário.

O suposto comprador efetuou um depósito na conta da vítima em uma sexta-feira e mandou um guincho buscar o trator. Porém, na segunda-feira seguinte, a vítima constatou que o depósito foi feito com um envelope vazio.

A Delegacia de Polícia Especializada na Repressão aos Crimes Rurais e Abigeato (Decrab) de Camaquã (RS). assumiu as investigações e constatou a forma de atuação da quadrilha. O contato com as vítimas ocorria via WhatsApp, pelo líder da quadrilha.

O golpe era normalmente concluído em uma sexta-feira, após o término do horário bancário, o que impediria a vítima de averiguar rapidamente se o valor acertado realmente havia sido depositado.

Posteriormente, o líder da quadrilha contratava um guincheiro para realizar o transporte, normalmente com destino a Caxias do Sul (RS) e Farroupilha (RS). Porém, antes de chegar ao destino, o profissional recebia novas orientações para entregar o trator em outro local.

Foi constatado que os guincheiros eram contratados aleatoriamente e que não faziam parte da quadrilha. Eles recebiam um pedido de frete via WhatsApp, acertavam o valor e eram pagos em dinheiro quando entregavam o trator.

A Decrab constatou que, quando o guincheiro era orientado a entregar em outro local, membros da quadrilha já estavam acompanhando o caminhão. Da mesma forma, após a entrega, o guincheiro era seguido até sair do local, para garantir que não iria desconfiar de algo e chamar a polícia.

As investigações indicaram que a esposa do chefe da quadrilha também tinha forte atuação na organização. Era ela quem repassava as ordens aos demais criminosos, retransmitindo mensagens de áudio, nas quais eram feitas ameaças com relação a dívidas.

Um dos membros mais próximos ao chefe era quem recebia o trator e tinha a função de repassar o maquinário para outro integrante. Ele era encarregado de vender o mais rapidamente possível, normalmente por valor abaixo de mercado.

O integrante que recebia o trator já tinha um receptador encarregado de vender o maquinário.

Para não deixar rastros, após a venda do trator, o dinheiro era depositado em várias contas de terceiros, que depois repassavam o dinheiro para a esposa do líder, para seu cunhado e para o responsável por receber o trator.

Durante as investigações, a Decrab de Camaquã conseguiu rastrear e recuperar dois tratores negociados pela quadrilha, maquinário que estavam no interior do município de Nova Bassano (RS), um deles pertencente à vítima de Sertão Santana e o outro a uma vítima de Candelária (RS).

Todos os integrantes da quadrilha foram identificados, assim como as transações bancárias e a movimentação de 14 tratores entre janeiro e junho de 2021.

Foram presos o chefe da quadrilha, um dos integrantes e o receptador, estando os demais investigados em situação de foragidos.

O líder do grupo já havia sido indiciado pela prática criminosa pelo uso de WhatsApp. Por isso, o preso foi transferido para um presidio com bloqueador de sinal.

O inquérito policial foi concluído e remetido ao Poder Judiciário, onde todos os dez integrantes da organização criminosa foram denunciados.