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Mês é marcado por recordes de calor no Brasil

São Paulo, por exemplo, tem as maiores temperaturas desde julho de 1984

Julho nem acabou, mas já é um mês de calor histórico em parte do Centro-Sul, devido aos desvios das temperaturas — tanto mínimas quanto máximas. Segundo um levantamento realizado com as informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a capital paulista, por exemplo, deve fechar como o mês de julho mais quente desde 1984.

Nas áreas de campo, essas condições de tempo seco e altas temperaturas têm beneficiado as atividades de colheita do milho nesta segunda safra.

Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a colheita chegou a 94,06% da área estimada em Mato Grosso até a última sexta-feira (22). O volume é 21,26 pontos percentuais superior ao que foi observado no mesmo período da safra passada. Com isso, o avanço da colheita em 2022 está acima da média dos últimos cinco anos. As atividades de colheita do algodão, café e cana-de-açúcar avançam em ritmo acelerado.

“Essas condições favorecem o aumento do número de incêndios, causam estresse hídrico para algumas lavouras em desenvolvimento” — Nadiara Pereira

Apesar disso, as temperaturas mais altas do que o normal e a falta de frio também podem afetar de forma negativa o campo. “Essas condições favorecem o aumento do número de incêndios, causam estresse hídrico para algumas lavouras em desenvolvimento, como é o caso das lavouras de cana-de-açúcar mais tardias que serão colhidas lá no final do ano”, afirma Nadiara Pereira, meteorologista da Climatempo.

Segundo ela, a cana-de-açúcar sofre com o estresse principalmente por causa das temperaturas noturnas mais elevadas que afetam a fotossíntese das plantas. Além disso, episódios mais intensos de geadas são importantes para o controle das lavouras.

“Sem geadas no sul do Brasil, por exemplo, aumenta o risco maior para a proliferação de insetos nas lavouras durante as próximas estações, primavera e verão”, diz ela. O frio é necessário para o inverno para que haja um equilíbrio no campo, diz a meteorologista.

Calor no fim de julho?

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A meteorologista Nadiara Pereira durante entrevista ao Canal Rural | Foto: Reprodução

Ao longos dos próximos dias, há previsão de mudança no padrão do bloqueio atmosférico que dificulta o avanço de frentes frias e massas de ar de origem polar pelo Brasil. Entre quinta (28) e sexta-feira (29), uma frente fria espalha chuva pelo Sul do Brasil. E ela virá acompanhada por um declínio da temperatura a partir do próximo fim de semana.

“Há risco de geadas para algumas áreas do sul do Paraná e até mesmo frio previsto para algumas áreas de São Paulo e Mato Grosso do Sul”, alerta a profissional da Climatempo. Desta vez, diferentemente da última madrugada, quando atingiu apenas os pontos mais altos da serra catarinense, as geadas podem afetar as lavouras.

“Há risco de geadas para algumas áreas do sul do Paraná” — Nadiara Pereira

Na semana que vem, haverá o avanço de um novo sistema que deve espalhar mais a chuva pelo Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A frente fria será acompanhada por uma onda de frio ainda mais intensa, com riscos de geadas mais amplas na região Sul.

Agosto deve ser marcado por uma sequência maior de frio e temperaturas mais baixas. Em relação à chuva, o mês terá precipitações abaixo da média para o Centro-Sul. Para o Norte, não há expectativas de mudanças — com as chuvas continuando expressivas no extremo da região e em áreas litorâneas do Nordeste.

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