EXPECTATIVA

Acordo Mercosul-União Europeia avança e deve ser votado na Câmara nesta semana

Texto aprovado pela representação brasileira segue para análise da Câmara dos Deputados e depois do Senado

Imagem gerada por Inteligência Artificial para o Canal Rural
Imagem gerada por Inteligência Artificial para o Canal Rural

A Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul) aprovou nesta terça-feira (24) o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 41/2026, que incorpora o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, assinado em janeiro após mais de 25 anos de negociações. A informação é da Agência Câmara de Notícias.

Com a aprovação, a proposta segue para as próximas etapas no Congresso Nacional. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que o Plenário deve analisar o texto ainda nesta semana. Depois, o projeto também precisará passar pelo Senado.

O parecer aprovado foi relatado pelo deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que defendeu o avanço do tratado. Por sugestão dele, quaisquer atos que resultem em denúncia, revisão do acordo ou ajustes que impliquem encargos ou compromissos ao Brasil ficarão sujeitos à aprovação do Congresso.

Segundo Chinaglia, o acordo abre uma nova etapa de cooperação e parceria entre os países do Mercosul e da União Europeia. Ele avaliou ainda que, além do aspecto econômico, o momento político internacional contribuiu para acelerar as negociações no período mais recente.

Pontos do acordo

O texto do Acordo Provisório de Comércio foi enviado ao Congresso por meio de mensagem do Poder Executivo. A proposta prevê a eliminação ou redução de tarifas de importação e exportação entre os blocos.

Juntos, Mercosul e União Europeia reúnem cerca de 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto estimado em US$ 22,4 trilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 116 trilhões.

Pela Constituição, acordos internacionais precisam da aprovação do Congresso Nacional para entrar em vigor no Brasil. No caso da União Europeia, o tratado passará a valer após o aval do Congresso brasileiro e do Parlamento Europeu, independentemente da ratificação pelos demais países do bloco.

Alertas sobre setores econômicos

Apesar do voto favorável ao acordo, parlamentares apontaram riscos para alguns setores com a ampliação da abertura comercial. Os deputados Ana Paula Leão (PP-MG), David Soares (União-SP) e Renildo Calheiros (PCdoB-PE) defenderam atenção à indústria nacional diante da concorrência externa.

O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), vice-presidente da representação brasileira no Parlasul, informou que Uruguai e Argentina também avançam na análise do acordo. Segundo ele, a Argentina já aprovou o texto na Câmara e o enviou ao Senado.