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Com alta nos preços dos grãos, procura por terra e arrendamento aumenta no RS

Cada vez mais, investidores procuram a segurança da terra para conseguir retorno financeiro; confira o cenário atual neste importante estado produtor

A alta nos preços dos grãos, uma safra de verão com bons resultados e a valorização da pecuária animam os produtores rurais do Rio Grande do Sul, onde surgem investidores em busca de novas terras para compra ou arrendamento.

O momento é de alta procura por fazendas e negócios são fechados rapidamente. Esse é o caso de Giovanni Migliorini, um produtor rural que comprou sua mais nova propriedade no município de Jaguarão, na fronteira com o Uruguai. Por lá, ele pretende estabelecer o plantio de soja, milho e criação de gado de corte. Segundo ele, a ótima conjuntura econômica do agronegócio ajudou na tomada de decisão.

“Eu acredito que as expectativas futuras para as agroindústrias brasileiras são extremamente favoráveis. Estamos vivendo um novo ciclo de valorização das commodities. Isso se dá, principalmente, pela forte demanda, crescente e contínua da China, o que deve perdurar pelos próximos anos, sem dúvida alguma”, falou.

O produtor explica que China teve que mudar o sistema produtivo de suínos e, com isso, a demanda por grãos aumentou, junto com o preço. “Também tivemos o aumento do consumo per capita de proteínas. O Brasil tem um potencial incrivelmente favorável para ser o fornecedor dessa maior demanda. Isso significa mais renda, mais exportação, mais tecnologia empregada no campo”

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Foto: Imobiliária Estância do Pampa

Negócio em família

Juarez Nascimento e o irmão compraram uma área de 348 hectares, em Eldorado do Sul, também no Rio Grande do Sul, com a finalidade de plantar milho, soja, pastagens e cereais de inverno. Ele percebe uma movimentação no mercado de novos investidores que enxergam a compra ou o arrendamento de terras como uma boa oportunidade de negócio.

“Nós somos dois agrônomos, família de agrônomos, trabalhamos na terra e juntamos uma reserva de 18 anos plantando para comprar essa área. Realmente, estão aquecidos os negócios de terras no Rio Grande do Sul, assim como acredito que em todo o Brasil, em virtude da valorização dos preços das commodities agrícolas. Eu acho que vai ter muita gente fora do negócio querendo comprar terras para investir como um ativo, até para arrendar também, ganhar dinheiro”, disse Juarez, que também é presidente da Cooperativa Agrícola Tupanciretã (Agropan).

Perfil dos investidores

Maurício Escobar e Alexandre Gama, que lideram a Imobiliária Estância do Pampa, especializada em fazendas tanto no Brasil como Uruguai, notaram uma mudança no perfil dos compradores de terras nos últimos meses e maior velocidade para fechar as negociações.

“Nós temos casos aqui na imobiliária em que visitamos uma propriedade pela manhã e, à tarde, estávamos sentados com os proprietários para resolver a minuta de contrato e finalização do negócio. Não temos dúvidas que acelerou a tomada de decisão, muito em razão do preço das commodities e do alto consumo, em razão da pandemia [ de Covid-19]”, disse Maurício.

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Foto: Imobiliária Estância do Pampa

Para Alexandre, a compra de terra virou garantia de lucratividade e tem atraído investidores de outros segmentos. “Em curto ou médio prazo, não enxergamos nenhuma chance de desaceleração tanto na procura quanto na oferta de fazendas e nem na realização de negócios, tanto para empresários investidores ou produtores rurais que voltaram às compras, através do bom momento das commodities agrícolas no país”.

Alexandre diz que as vendas e arrendamentos de áreas rurais na imobiliária aumentaram 200% de janeiro a março em comparação ao mesmo período do ano passado. “Nós acreditamos que voltarão ao mercado os produtores de soja e de arroz que estavam afastados do mercado de compra, devido a preços injustos que vinham sendo praticados. Agora, estão sendo remunerados de maneira adequada. Por fim, ainda esperamos uma retomada, que já vem acontecendo, por fazendas de pecuária , devido também ao preço justo pago pelo terneiro”, completou.

Falta área para arrendar

Nilo Ourique, proprietário da Nilo Imóveis e especialista em venda de imóveis rurais pelo Brasil, explica que hoje é tanta procura, que faltam áreas para arrendar.

“O que a gente percebeu este ano foi um aumento grande no número de investidores querendo comprar áreas para deixar arrendada. A partir do ano passado, uma área que o rendimento dava uma receita de R$ 100 mil por ano, passou para R$ 200 mil. As pessoas resolveram manter suas rendas, até porque houve muita mudança também com a pandemia, muito imóvel urbano começou a ficar desocupado e o contrário também existiu, com muita gente que tinha dinheiro investido em banco migrando para o rural”, disse.

Segundo ele, o problema atual é que não tem tanta oferta, mas muita gente procurando. “Não tem tanta oferta de áreas e propriedades para venda que possam ficar arrendadas”.

Terras com preços mais altos

Segundo o último Relatório de Análise de Mercado de Terras, elaborado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a região do Planalto, no Rio Grande do Sul, que engloba 180 municípios, mantém os maiores níveis de preços.

“Nestas localidades, inclusive, a negociação é feita em sacas de soja. O que torna essas regiões mais valorizadas são questões de qualidade do solo, como profundidade física do solo, o regime pluviométrico anual e também as características de infraestrutura como boas estradas. Essas regiões também possuem como características de valor alegrado maior a grande procura para o plantio de soja onde produtividades bastante elevadas são encontradas. O relatório serve para programar as políticas públicas do Incra, também como balizador do preço médio de terras no estado e ainda serve para consumo das prefeituras e órgãos institucionais”, disse a superintendente regional substituta do Incra, Raquel May Chula.

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Foto: Imobiliária Estância do Pampa

Dicas para fechar negócios com terras

O advogado Frederico Buss, sócio da HBS Advogados, dá algumas dicas de como fechar negócios nessa área com segurança.

“A primeira providência consiste na análise criteriosa da documentação relativa não somente do imóvel, mas também da documentação do proprietário vendedor. Isso porque em algumas situações, embora na matrícula do imóvel não conste o registro de restrições ou dívidas, a existência de execuções fiscais ou patrimoniais contra o vendedor pode colocar em risco a segurança jurídica da negociação”, disse.

Além dos documentos necessários, a situação tributária, fiscal, ambiental, bem como eventuais ativos e passivos judiciais ou extrajudiciais devem ser observados.

“É importante a comprovação de que a propriedade, que se pretende adquirir, é aquela que consta na matrícula ou nas matrículas apresentadas pelo vendedor, razão pela qual é conveniente que seja providenciado a medição da área, a partir da descrição da respectiva matrícula. Outra questão de extrema importância é a verificação dos contratos de arrendamento em vigor, arrendamento ou parceria, pois nestes casos, é necessário obter a renúncia do arrendatário ou parceiro ao direito de preferência na aquisição da área. É recomendado por cautela a comprovação do potencial produtivo do solo mediante laudo técnico”, finalizou.