Dólar atinge maior nível desde março

Câmbio foi influenciado por dados dos Estados Unidos e superávit primário abaixo do esperadoO dólar encerrou o pregão desta quinta, dia 30, em alta, empurrado por dados positivos vindos dos Estados Unidos, misturados com notícias negativas a respeito da economia brasileira. 

Fonte: Bruno Domingos/Reuters

A moeda norte-americana terminou a sessão com avanço de 1,82%, cotada a R$ 3,0110 para compra e R$ 3,0130 para venda, maior alta diária desde 25 de março.

No acumulado do mês, porém, ela baixou 5,60%, levando as cotações das commodities a recuarem no mercado à vista. Os preços da saca de milho e de soja baixaram R$ 3 em abril no Porto de Paranaguá. O café também foi prejudicado, com a saca do arábica tipo 7, negociado no sul de Minas Gerais, perdendo R$ 20 no mês.

A desvalorização do real foi principalmente provocada pela divulgação dos dados sobre os novos pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos. De acordo com o Departamento do Trabalho, os requerimentos recuaram em 34 mil na semana encerrada no dia 25, para 262 mil. Esta foi a menor leitura desde abril de 2000.  

A situação do mercado de trabalho é um dos focos do Federal Reserve (FED, o banco central norte-americano), que já indicou que elevará a taxa de juros quando houver sinais claros de melhora. A expectativa de aperto na política monetária faz com que os investidores adquiram dólares para realizar investimentos nos Estados Unidos, principalmente nos títulos do Tesouro.

Um segundo fator que levou a uma valorização do dólar, embora em menor grau, foram os dados ruins a respeito das contas públicas.

De acordo com o Banco Central (BC), o superávit primário (economia feita para pagar os juros da dívida pública) totalizou R$ 239 bilhões em março, abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, gerando uma piora do déficit primário no período de 12 meses, que foi de 0,64% para 0,70% do Produto Interno Bruto (PIB). O governo estabeleceu como meta para 2015 um superávit de 1,2%.

Além disso, o câmbio foi influenciado pela “briga” no mercado para a formação da chamada Ptax, taxa de câmbio calculada pelo BC a partir de informações fornecidas pelos investidores e que serve de referência para a liquidação de contratos de derivativos de câmbio.