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Dólar: instituição que mais acertou projeção vê câmbio abaixo de R$ 5 no fim do ano

No ranking que considera os campeões de acerto nos últimos meses, a mediana das expectativas é de que o dólar encerre 2020 cotado a R$ 5,23

O dólar acumula alta no ano de 36,1% considerando o fechamento da última sexta-feira, 26, quando atingiu R$ 5,46. A máxima de fechamento registrada em 2020 foi de R$ 5,90 no dia 13 de maio. A expectativa de mercado contida no Boletim Focus do Banco Central, tendo como referência a mediana das 101 instituições pesquisadas, é de R$ 5,20 no fim deste ano.

O Sicredi, instituição que mais acertou a projeção de câmbio prevê que a moeda vá encerrar o ano abaixo de R$ 5.  “Para o final do ano, havendo controle da pandemia, devemos ver o câmbio em RS 4,85. Depois, existem os riscos fiscais, [e expectativa de] que no pós pandemia o Brasil vai voltar para agenda de reformas”, afirma Pedro Ramos, economista-chefe do Sicredi.

 

Em relação ao Top 5 de curto prazo do Focus, ranking que considera as instituições que mais acertaram as projeções nos últimos meses, a mediana das expectativas é de que o dólar encerre 2020 cotado a R$ 5,23.

A projeção máxima do Top 5 para o fim do ano é de R$ 5,50, enquanto que a mínima é de R$ 4,30. Quanto à trajetória, tanto a mediana quanto à média indicam estabilidade do dólar no segundo semestre ao redor de R$ 5,25.

Agenda da semana – o que pode mexer com o câmbio

No exterior, os destaques são dados de mercado de trabalho nos Estados Unidos, a serem divulgados na quarta, 1º, e na quinta-feira, 2. A expectativa geral é de que haja continuidade da recuperação das vagas fechadas durante a paralisação das atividades entre março e maio, como medida para mitigar o avanço da pandemia do novo coronavírus.

Até lá, é improvável que o câmbio faça grandes movimentos. Mas, caso as expectativas sejam frustradas, é possível haver um avanço do dólar no exterior e com impacto também no Brasil, devido à piora de percepção dos investidores quanto à recuperação econômica.

No Brasil, serão publicados os dados da balança comercial em junho e da produção industrial de maio. Os dados econômicos têm apresentado efeito limitado no dólar, e nesta semana não deverá ser diferente.

O que tem gerado maiores movimentações no câmbio é o cenário político conturbado. O avanço de algumas medidas do governo no Congresso são positivas e indicam melhora da relação com os parlamentares, porém, investigações que envolvem a base de apoio do presidente Jair Bolsonaro seguem no radar e podem trazer surpresas.