Diversos

Bolsonaro convoca reunião com Conselho da República

O conselho tem o papel de debater intervenções e garantir a estabilidade do país em momentos de crises democráticas

O presidente Jair Bolsonaro convocou uma reunião do Conselho da República para esta quarta-feira, 8. O conselho formado por outros líderes políticos tem a função de debater intervenções para garantir a estabilidade da democracia em momentos de crise. A convocação aconteceu durante a participação do presidente nas manifestações do 7 de setembro. Milhares de pessoas de todo o país viajaram até a capital federal para participar dos atos.

O dia mal havia começado e a Esplanada dos Ministérios em Brasília já contava com milhares de manifestantes. Muitos chegaram a acampar no espaço desde a noite anterior. Próximo às barracas, no gramado, cabines de caminhões estavam estacionadas em fila. Já do lado dos ministérios, caminhões graneleiros e gaiolas estacionados serviam de apoio para os manifestantes. Vestidos principalmente com as cores verde e amarelo, eles carregavam faixas e bandeiras do Brasil.

Um grupo de produtores rurais de alagoas pedia a ajuda do governo para os pequenos agricultores do estado.

“Os bancos emprestam recursos. Se houver perdas, o seguro rural cobre o banco dá novo crédito ao agricultor. No Nordeste é o contrário. O agricultor perde a lavoura com a maior seca já existente nos últimos anos e ainda perde a propriedade e até a cama de dormir. A gente está aqui pedindo socorro ao presidente, para que socorra nordestino porque a miséria campeia”, disse o produtor rural Francisco de Souza.

Milhares de pessoas, entre elas, produtores rurais, participaram de atos na Esplanada dos Ministérios, em Brasília – Foto: Paola Cuenca

Outros produtores rurais decidiram marcar presença para apoiar o atual governo e fazer mais pedidos.

“Chapelão do Sul é a capital agrícola do Mato Grosso do Sul. Acredito que está muito bem representado, a gente está buscando melhorias, porém acredito que estamos fazendo um bom sucesso. A gente veio hoje para unir com o pessoal e fazer a diferença para o nosso Brasil”, destacou o consultor de vendas Breno de Souza.

“Precisa de menos Estado interferindo, menos burocracia, menos taxação. A gente precisa de menos Estado e mais liberdade comercial em todos os setores”, ponderou outro produtor que esteve na manifestação, Wesley de Oliveira.

Enquanto manifestantes se concentravam, no Palácio da Alvorada as comemorações oficiais do 7 de setembro começavam com o hasteamento da bandeira. O presidente Jair Bolsonaro desfilou no Rolls Royce presidencial ao lado da esposa, do vice-presidente Hamilton Mourão e ministros de estado. Militares fizeram apresentações e o lema da bandeira “Ordem e Progresso” foi escrito no ar pela esquadrilha da fumaça. Depois da cerimônia, Bolsonaro seguiu para a Esplanada. Em um helicóptero das Forças Armadas, o presidente sobrevoou o espaço antes de discursar em cima de um carro de som. Mourão e Tarcísio Freitas estavam entre as autoridades que acompanharam o presidente.

“Nós não mais aceitaremos que qualquer autoridade usando a força do poder passe por cima da nossa Constituição. Não mais aceitaremos qualquer medida, qualquer ação ou qualquer certeza que venha de fora das quatro linhas da Constituição. Nós valorizamos, reconhecemos e sabemos o valor de cada poder da República”, disse o presidente em seu discurso.

Bolsonaro chegou a dizer que as manifestações eram um ultimato para os três poderes sobre o caminho a ser seguido. A ministra Tereza Cristina não estava no carro de som, mas participou das manifestações junto ao povo. Antes de encerrar o discurso na Esplanada, o presidente da República convocou uma reunião do Conselho da República, órgão criado para discutir possíveis intervenções federais, estado de defesa e estado de sítio em momentos de crise democrática.

“Amanhã [quarta, 8], estarei no Conselho da República, juntamente com os ministros, para nós, juntamente com o presidente da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal, com essa fotografia de vocês, mostrar para nós todos devemos ir”, disse Bolsonaro.